Palacete assobradado

Inspiração sem talento

Se eu fizesse balé desde criancinha, hoje que eu dançava como nunca.
(E seria descoberta por algum coreógrafo famoso...)
Se eu fosse o Graham Bell, hoje que eu inventava o telefone.
Se eu escrevesse bem, hoje que eu tinha inspiração para alguma peça de teatro ultramodernosa e bacanuda.
Se eu fosse a Daiane dos Santos, hoje que eu pulava o duplo twist carpado.
Se eu tivesse uma festa para ir, hoje que eu colocava meu look mais arrasador.
(E ia me arrumar ouvindo música no último volume.)
Se eu cantasse alguma coisa, hoje que valia a pena gravar uma canção.
Se eu fosse Michael Jackson, hoje que compunha Thriller.
Se eu soubesse desenhar, hoje que eu desenhava teus cabelos tingidos pela luz alaranjada do entardecer da fronteira.
(E não seria brega.)

Mas foi só um dia de inspiração sem nenhum talento.

Publicado em 30 de junho de 2009 às 19:12 por helena cogumelo

Quem com teclas tecla, enteclado será teclacido

Ao ver meu teclado, que já foi branco um dia, pensei - puxa, acho que vou comprar uma máquina de escrever. Elas eram vazadas e mais fáceis de limpar. E seria tão mais charmoso datilografar ao invés de digitar... Logo desisti dessa ideia absurda que, óbvio, era só mais uma desculpa para não encarar a tarefa inevitável: limpar o teclado.

(na verdade não é tão absurda. o problema é que, datilografados, meus posts não serviriam de nada, nem tenho gavetas para guardar as páginas que sairiam da olivetti)

Perguntei ao Google como limpar meu teclado e descobri que poderia retirar uma a uma as teclas, lavá-las, secá-las e colocá-las novamente em seus lugares. No tutorial, o sujeito inteligentemente sugeriu que se fotografasse o teclado para depois saber onde vai cada letra. Como minha câmera deve estar agora no fundo do caudaloso rio Negro, mais fundo do que nunca com a cheia, resolvi pular essa parte. Afinal, existe um mapa de caracteres se você clicar ali no canto esquerdo. Não me preocupei. Retirei as teclinhas, que, juntas, fazem um barulhinho tão simpático quanto as pedrinhas de bingo agitadas no globo. Dois patinhos na lagoa 22. Todas as letras foram para a pia.

Agora, três horas depois, digito em letras brancas como uma folha de papel. Uma a uma recoloquei as letras em seus devidos lugares. A única dificuldade foi chegar ao final com uma barra / no lugar do I.

Vai ficar assim mesmo.

Publicado em 26 de maio de 2009 às 19:09 por helena cogumelo

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A Barata

Que belo dia para ligar para telemarketings. Esse foi meu pensamento na última terça-feira. Depois de ter comprado pilhas, seis pilhas, que não funcionavam, ao invés de voltar às Lojas Americanas, resolvi ligar para o 0800. Diversão de graça.

Muito bem. Liguei três vezes até conseguir ser atendida. Uma moça muito simpática atendeu e perguntou qual era o problema. Não funcionam as pilhas, moça. E ela: pacote promocional? Disse, sim, leve seis, pague cinco e fique sem nenhuma! Grande promoção. Rapidamente ela pegou meus dados e gerou uma autorização para postagem grátis. Vou enviar as pilhas para a Rayovac e eles me enviam pilhas novas. Muito bem.

Resolvi que era meu dia de sorte. Liguei novamente para um 0800, desta vez da Tim. Queria cadastrar números prediletos para falar a 12 centavos o minuto. Cinco ligações perdidas. Mas não desisti, sou persistente. Na sexta vez atendeu a moça, disse o número do protocolo e informou: o sistema apresenta uma certa lentidão, a senhora aguarda? sim, claro, acha que vou desistir bem agora que estou falando com uma pessoa?

Forneci meus dados e "não desligue senhora", "só um momento... mais um momento senhora" e eu ali tranquila esperando. Fui até a janela, voltei... só mais um momento... aguarda? lixei uma unha que tava pegando, mais um momento. Voltei à janela e foi então que, só mais um instante, vi uma barata GIGANTESCA, pousada no trilho. Olhei para a barata, ela olhou para mim, um momento aguarda? Sim. As duas antenas igualmente gigantescas se mexendo, iam de cima a baixo, alternadamente. E eu esperando para cadastrar meus números prediletos, mas o sistema com lentidão. eu então segurando o telefone com o ombro, busquei uma vassoura. A ideia era cutucar a barata e jogá-la lá de cima, do sétimo andar, para que voltasse para a sarjeta de onde veio. Mais um momento senhora. E ouviu-se um grito na conversa que (eles me garantiram) estava sendo gravada. A moça do outro lado se assustou, mas ao invés de perguntar se estava tudo bem, ela disse aguarde mais um instante! Tudo bem, eu disse. E a barata saiu correndo, se escondeu em algum canto. E eu com a vassoura. Dessa vez, fui la buscar o inseticida.

Seguiram-se instantes de apreensão e medo. Cadê a barata? Mais um momento, por favor, não desligue.... Vi a danada no canto... parada. Esguichei um jato certeiro de veneno. Ela correu como nunca! Eu gritei! E mais um instante senhora! Enquanto eu acompanhava de longe a barata parar e virar de barriga pra cima chacoalhando as patinhas, A LIGAÇÃO CAIU.


Agora quem ouvir a gravação gerada pelo protocolo 2009096365 vai conferir registrada a minha luta contra a barata que surgiu do nada.

Publicado em 30 de abril de 2009 às 16:13 por helena cogumelo

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Monolágrima

Incrível. Vocês sabem, tenho hipersudorese na axila esquerda. Isso significa que ela sua acima do normal. Na verdade isso só quer dizer que ela sua mais do que a axila direita - afinal, só tem uma para comparar. Eu também poderia dizer que o problema está é com a axila direita, que tem hipossudorese, afinal sua menos que a axila esquerda... enfim, mas esse post não é sobre mim.

E nessa história de ter uma metade anormal, quando eu estava na pré-escola, eu conheci uma menina que chorava só com o olho direito. Andréia era o nome dela. O lado esquerdo não chorava absolutamente nada. Era um mistério para os médicos, que fizeram inúmeros exames e constataram que ela tinha um canal lacrimal, mas que era totalmente seco. Quer dizer, ela era normal, mas só chorava com o olho direito. Na hora do recreio se ela caía no parquinho, saía com a mão num olho só enxugando as lágrimas. Se roubavam o lanche dela, ela se escondia correndo com a lancheira na mão esquerda e o olho na mão direita. Eu era amiga dela, afinal nessa idade a amizade não tem lá grandes implicações. Então a gente ficava brincando junto ali no parquinho e eu nem achava estranho que ela chorasse só de um olho.

Eu passei de ano e nunca mais vi a Andréia.

Publicado em 27 de janeiro de 2009 às 18:10 por helena cogumelo

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Caixa de fósforo

Você é muito grande para esse apartamento.
Que tal ficar deitado ali?

Publicado em 06 de janeiro de 2009 às 11:39 por helena cogumelo

Ninguém olha pra cima

Calor infernal. Depois da ducha, foi pegar um ar fresco na janela, assim, pelada mesmo. Ele se virou e arregalou os olhos como se tivesse visto uma criança de um ano se aproximar do parapeito.
O que é isso? Showzinho de graça agora?
Blé... ninguém nunca olha pra cima!
É... só os apaixonados...
Mas esses andam muito distraídos, nem que vissem a Cicciolina nua na janela do sétimo andar...

Se vestiu e foi pro escritório, ar-condicionado. Telefone toca.
Putaquepariu a naba vai entrar gostoso é no dia primeiro. Vou me foder.
É melhor se preparar hein. Saca aqueles camelôs que fazem demonstração do kitchen wizard na rua? A naba entra de um lado e sai toda em cubinhos do outro! É disso que você vai precisar, amigo! Compra ali no Paraguai que é mais jogo. Hahahaha
Piadista de primeira, hein!
Obrigada!

Publicado em 30 de dezembro de 2008 às 20:10 por helena cogumelo

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Sórdido Deus Google

Fim de semana de quebradeira, festa de formatura, festa da firma, aniversário tudo junto, segunda de manhã não existiu. Entro na internet ver e-mails. E o anúncio do Google: "Dor de cabeça? Farmácias no google maps".

Realmente, cada vez melhor nessa história de anúncios dirigidos.

Publicado em 08 de dezembro de 2008 às 14:21 por helena cogumelo

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O canto da sereia abissal

Estive todo esse tempo tentando escalar as paredes lamacentas do precipício ao mesmo tempo em que lambia as minhas feridas velhas e purulentas. Cutucava as casquinhas, como aquelas dos joelhos de criança. Escorregava um pouco, lambia um pouco e seguia para o álcool, alto e avante! Justo agora que consegui ficar de pé a poucos metros da beira do abismo, ouço o canto da sereia abissal... de novo! Daqui de cima o canto é ainda mais encantador. Ah, que belo canto! Antes fosse uma mansidão de mar azul, o lar natural das sereias, mas é um precipício, um fosso, o que é ainda mais atraente. Cair sempre dá um frio na barriga, já se afogar eu não sei como é. Eu sei nadar. Cair é outra história. Ainda se eu escorregasse, a culpa seria minha... mas esse canto...

Vou sumir daqui antes que.

Ps.: tenho certeza absoluta de que alguém já usou essa figura e exatamente com o mesmo sentido. Isso faz do meu texto um clichê? Sempre me esfolando.

Publicado em 29 de novembro de 2008 às 00:09 por helena cogumelo

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Golpe da melancia

Atenção môças solteiras que moram em kitinetes! Um novo (antigo) golpe está ameaçando a paz de seus aposentos. É o golpe da melancia!
O modus operandi do golpista é sempre o mesmo, atentai! Primeiro o interfone toca. Sim, é seu vizinho! A ameaça mora ao lado!
Antes de qualquer coisa ele dispara: você gosta de melancia? As mais desavisadas, adeptas da alimentação saudável, rica em fibras, respondem sim adoro! Pronto. Depois desta resposta não há mais como voltar atrás. Então vem o tiro certeiro: é que eu comprei uma melancia e, como dizem por aí, não se deve comer uma melancia sozinho...
BANG BANG! HE SHOT YOU DOWN, BABY!
Agora você vai gastar todo o seu latim para explicar que, apesar de você adorar melancia e apesar do seu vizinho ter uma melancia INTEIRA no apartamento dele, você simplesmente não vai comer melancia.
Por isso, MUITO CUIDADO!
Quando alguém lhe perguntar "você gosta de melancia?" lembre-se daquele outro golpista da rua XV "você gosta de poesia?" e responda "não da SUA, obrigada".

Esse golpe da melancia é tão antigo que cair numa dessa é como uma declaração de que você está a fim.

Publicado em 12 de novembro de 2008 às 11:07 por helena cogumelo

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Reggaeton

O reggaeton é o funk da fronteira, todos dizem superdivertido. Fui conferir. Muito divertido. Depois de algumas cervezas, naquela hora da madrugada que você fica só olhando, esperando algo decisivo acontecer, me perguntei mas onde estão os pais dessa gurizada? Uma devia ter 12 anos. A outra no máximo uns 10. Identidade no Paraguay não deve ser cara. Os pais com certeza estão na beira do lago atravessando muamba ou coisa pior, drogas armas. A balada é tipo creche 'fica aí filho, papai volta às cinco, tá bom?'

Ou não volta. Ou não tá bom.

Publicado em 07 de novembro de 2008 às 00:00 por helena cogumelo

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Amigos

Aires Buenos
BonSoir Juanita
Blue Eyed
Café Laufer
Instante Posterior
Felizes São os Cães
Putz!
Rascunhos de Viagens








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