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26 April 2004

Inverno


Acabo de chegar em casa, depois de uma manhã de aulas, no primeiro dia de frio em Curitiba.

O que vejo?

Minha mãe segurando um novelo de lã, vamos fazer gorrinhos?

Isso parece uma charada para mim, pois ela naturalmente já sabe do meu anti-talento para trabalhos manuais.
Presumo logo que não era exatamente aquilo que ela queria me preguntar, mas sim: "Se eu fizer muitos gorrinhos, você irá usá-los todos?"

Enfim, mãe.


17 April 2004

Boccaccio


Eu havia chegado à conclusão de que sou um monstro.

Por causa disso comecei a ler o Decamerão - como uma forma de terapia.

Acho que está dando certo. Estou me sentindo bem melhor, menos má, sabe?

Tudo bem que aqueles acontecimentos foram motivados pelo horror da peste.
Mas esse é um fato que prefiro ignorar.

14 April 2004

QR

Para provar que não tenho medo desse tipo de superstição, irei à quarta rock de hoje.

Qualquer post escrito depois da meia-noite de hoje será sumariamente deletado até as 14h de amanhã.

13 April 2004

Rocco e eu


Há algum tempo, fui com a Gi a um bar. Como não havia lugar vago nas mesas, ficamos apoiadas no balcão, bebendo uma cerveja e jogando conversa fora. Depois de um tempo olhei em volta e vi um homem sentado no fim balcão, bebendo sozinho. Era Rocco. Agora sei o nome dele porque, assim que percebemos sua presença, fizemos uma rápida aposta para ver quem teria coragem de ir até lá e puxar um assunto. Como sou o Id, nem foi preciso muito para que eu me oferecesse - apenas uma bohemia weiss.

Rocco era um desses homens transparentes. Não porque fosse franco demais, mas porque era quase imperceptível. Foi um feito heróico termos notado que aquele homem existia ali, num canto, entre um copo e uma parede.

Aparentemente, Rocco era um horizonte de novas experiências, uma fonte inesgotável de situações losers, aquele tipo de situação capaz de nos provocar um interesse muito particular.

A despeito de toda essa expectativa, quatro minutos depois, o papo acabou.

O papo acabou, mas os dois ainda insistiam em uma conversa. Estavam dispostos a ficar a noite toda conversando, inventando novas teorias, imaginando situações engraçadas, contado piadas. Mas o papo acabou e o silêncio permaneceu.

Dez minutos depois eu ainda estava ali. E Rocco com aquele olhar receptivo. O que me fez ficar mais dez minutos ali foi a porra do olhar receptivo. Se Rocco fizesse uma cara de desprezo eu caía fora sem maiores dramas. Mas não. Continuava com o maldito olhar receptivo. Custava fingir um desinteresse? Custava?

Fiquei com raiva.

Quando caí fora senti terríveis dores na consciência. O cara ali, morrendo de vontade de conversar e eu o abandonei. Definitivamente aquilo não poderia ser normal.

Agora tenho a certeza de que descobri uma nova doença: a síndrome da falta de assunto.

03 April 2004

De trás pra frente


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