Imagine um bar. Você está em uma mesa com amigos. Você está de mau humor. Em Antonina. Não bebeu nada e nem vai, pelo simples fato de que terá de acordar cedo e trabalhar.
Então chega um cara. Ele não sabe nada sobre você, nem sobre seu tradicional mau humor repelente de pessoas. E, justamente por não saber disso, vem puxar papo:
- Então, Helena (é esse o seu nome?), o que você faz?
- Já vi que iniciar uma conversa não é o seu forte.
Bom, na verdade essa foi a primeira resposta que pensei. Pensei, mas não falei. Respirei fundo.
- Então Helena, o que você faz?
- Eu coleciono selos.
Tá, essa foi outra que não falei. Mas ia ser muito engraçado começar a inventar um perfil qualquer, histórias de selos raros que tenho, de cartões postais do passado. Engraçado como a gente consegue mentir a sério quando está de mau humor. Coisas mais ridículas são proferidas com o tom mais formal e convincente do mundo. Eu me assusto.
Não dei essa resposta porque ia estender muito a conversa, e o meu objetivo inicial era acabar logo com aquilo.
Pensando bem, eu deveria ter dado a primeira resposta.
- Então Helena, o que você faz?
- Putz, o cara também não colaborou nem um pouco nessa abordagem. Partindo do pressuposto que o objetivo da pergunta é colher pistas que aproximem a pessoa do que você É, por que diabos ela chega perguntado o que você FAZ? E se eu fizesse algo absolutamente desinteressante, tipo Publicidade? Bom, então o papo acabaria por aí.
- Então, Helena, o que você faz?
- Publicidade.
Peguei meu cachecol amarelo e voltei para o hotel.
!++19++!
Publicado em 20 de julho de 2004 às 20:38 por helena cogumelo
BÁÁÁÁÁÁÁÁRRRRRRRRBARIDADE TCHê!!!
ESSA TOMA COSCARQUE