Palacete assobradado

24 horas com helena

Pela manhã sou uma covarde. O meu cobertor de lã é uma fortaleza, um muro intransponível. Caso eu acorde mais perto da hora do almoço, ele vira uma cerquinha facilmente burlável. Depois do almoço a covardia cede lugar à preguiça e à vadiagem. Pode ser que lá pelas 15h eu me anime a fazer algo, mas é um ânimo passageiro.

A pior hora do meu dia é 18h. A depressão chega com o cair da tarde, junto com a constatação de que o dia foi completamente perdido. Essa depressão, porém, é o que alimenta minhas forças para evenualmente sair à noite - aquela coisa de fazer o dia valer. Meia-noite já estou revigorada. Às 3h da madruga sou invencível. Tenho idéias do tipo enviar presentinhos enigmáticos pelo correio, sem remetente. Fico com a impressão de que tenho muitas coisas pra contar e dá uma vontade enorme de ligar para aquela amiga e falar sem parar.

Mas logo esse mundo se esvai, pois todos aqueles que quero ao meu lado estão dormindo, e o correio, fechado. Então é a hora de encarar a realidade - durmo. Me acovardo durante os sonhos para acordar novamente com medo de mais um dia.

Publicado em 26 de julho de 2004 às 15:24 por helena cogumelo

Comentários

    • Simplesmente sensacional. O texto, claro. Aliás, nem poderia ser diferente, considerando a beleza da dona dessas palavras. Agora, Helena, acorde mais cedo e deixe as manhãs de sol do inverno ainda mais bonitas.
    • por Thoughts Have Wings
    • 26.Jul.2004 às 16:05 - Permalink - Reportar
    Thoughts Have Wings
  1. FERNANDO GARBIN.
    • Hum... me vejo nessas linhas. Com a diferença que não vou dormir as 3, vou depois.
    • por andré m.
    • 27.Jul.2004 às 15:48 - Permalink - Reportar
    andré m.
    • Incrivelmente parecido com meu dia!
    • por Milena
    • 28.Jul.2004 às 12:41 - Permalink - Reportar
    Milena
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