Acho que já contei essa história para várias pessoas que não confirmaram a minha suspeita. Mas a verdade é que, como esse blog é meu, a minha impressão é a que conta.
Tenho certeza de que, antes de um trauma ocorrido nos meus 12 anos, minha capacidade de expressão oral era bem acima do que é hoje. Os meus amigos me chamavam para apresentar os trabalhos, a professora me mandava fazer as leituras de sala de aula, enfim, essas coisas de quem sabe falar bem.
Certo dia de sol, estava eu com minha bicicleta de rodas amarelas e quadro vermelho pedalando alegremente em frente a minha casa. Então, num súbito descuido, freei com as rodas da frente num acumulado de pedregulhos e fui ao chão. Não me acudiram três cavalheiros. Na verdade, apenas meu irmão veio me acudir, e mesmo assim só depois de alguns minutos em que fiquei desacordada no meio da rua.
Quando voltei do trauma, meu cotovelo direito praticamente inexistia: havia se transformado em uma massa de carne, sangue, pele e pedregulhos. Quando tentei articular algumas palavras veio o choque maior - pensei em falar a palavra “cachorro” mas os meus lábios ganharam vida própria e o que se ouviu foi a palavra “azul”. E assim sucessivamente com tudo o mais que eu ia pensando para falar. A coisa toda só se normalizou algumas horas depois.
Se é devido a isso não sei. Fato é que depois disso a professora não quis mais que eu fizesse as leituras em voz alta, os meus colegas de equipe não me chamaram mais para apresentar os trabalhos e por fim adquiri uma leve gagueira, que a Gianna insiste em me convencer de que é charmosa.
Eu não acho.
Publicado em 20 de outubro de 2004 às 02:10 por helena cogumelo
Não acredito que esta tenha sido a verdadeira razão para os sintomas descritos. Ela caiu uma outra vez, no colégio (teve até raio-x do cucuruto dela). Acredito que todos esses sintomas surgiram após ela ter sido carregada nos braços do JOCA (o bedel musculoso).