Palacete assobradado

Meus 12 anos, que saudade ingrata

Acho que já contei essa história para várias pessoas que não confirmaram a minha suspeita. Mas a verdade é que, como esse blog é meu, a minha impressão é a que conta.

Tenho certeza de que, antes de um trauma ocorrido nos meus 12 anos, minha capacidade de expressão oral era bem acima do que é hoje. Os meus amigos me chamavam para apresentar os trabalhos, a professora me mandava fazer as leituras de sala de aula, enfim, essas coisas de quem sabe falar bem.

Certo dia de sol, estava eu com minha bicicleta de rodas amarelas e quadro vermelho pedalando alegremente em frente a minha casa. Então, num súbito descuido, freei com as rodas da frente num acumulado de pedregulhos e fui ao chão. Não me acudiram três cavalheiros. Na verdade, apenas meu irmão veio me acudir, e mesmo assim só depois de alguns minutos em que fiquei desacordada no meio da rua.

Quando voltei do trauma, meu cotovelo direito praticamente inexistia: havia se transformado em uma massa de carne, sangue, pele e pedregulhos. Quando tentei articular algumas palavras veio o choque maior - pensei em falar a palavra “cachorro” mas os meus lábios ganharam vida própria e o que se ouviu foi a palavra “azul”. E assim sucessivamente com tudo o mais que eu ia pensando para falar. A coisa toda só se normalizou algumas horas depois.

Se é devido a isso não sei. Fato é que depois disso a professora não quis mais que eu fizesse as leituras em voz alta, os meus colegas de equipe não me chamaram mais para apresentar os trabalhos e por fim adquiri uma leve gagueira, que a Gianna insiste em me convencer de que é charmosa.

Eu não acho.

Publicado em 20 de outubro de 2004 às 02:10 por helena cogumelo

Comentários

    • Lembro como se fosse no mês passado. Ela freiou com a roda da frente nos pedregulhos, a roda travou, a bicicleta andou em um zigue-zague crescente até que ela caiu. Nem foram minutos, mas poucos segundos depois ela estava sentada no chão. Tão rápido quanto ela sentou, voltou a deitar. Aí foi só a mãe gritando “Junioooooor vai lá ver o que aconteceu com a sua irmã”. O bom irmão (eu) se locomoveu até o local do acidente onde deu uns tapinhas para a Helena recobrar a consciência.
      Não acredito que esta tenha sido a verdadeira razão para os sintomas descritos. Ela caiu uma outra vez, no colégio (teve até raio-x do cucuruto dela). Acredito que todos esses sintomas surgiram após ela ter sido carregada nos braços do JOCA (o bedel musculoso).
    • por deleterium
    • 20.Out.2004 às 02:31 - Permalink - Reportar
    deleterium
    • Meu pai jura que eu fiquei gago depois que meu avô (finado Seo Carvalho) capotou a kombi da firma voltando da chácara do meu bisavô (finado Seo Anibal).

      Na verdade, a kombi não capotou varias vezes em rodopios holywoodianos. Apenas tombou pro lado. Mas, diz ele, já foi o suficiente para que eu, na época com 3 anos de idade, desenvolvesse uma gagueira pós-traumática.

      E, é claro, a consequência disso na minha vida foi passar todo o primeiro grau sendo chamado de Gaguinho (“é isso aí pe-pessoal!”), Caio Shimanski (persoganem do Antônio Fagundes em uma novela das 7 que era gago), falavam que eu patinava, que precisava de “pneu lameiro”.

      Isso me incomodava. A coisa piorava muito quando eu precisava falar em público. Apresentações de trabalho no colégio eram meu trauma! Falar com as meninas então, era uma tarefa quase heróica. Inclusive, a garota que me deu o apelido de Caio Shimanski (Alessandra) era a morena por quem eu era apaixonado na sétima série. Já deu pra ver o tamanho do trauma, né?

      Até que, um belo dia, na saída da aula, um professor de história que eu tive chamado Dilson me chamou e disse: “Eu percebi que você tem dificuldades de dicção. Gagueira, não é? Deve ser difícil pra você. Mas não se preocupe! Se as pessoas não tem paciência pra te ouvir, não merecem escutar o que você tem a dizer!” Me deu um tapinha nas costas, um sorriso e foi embora.

      Daquele dia em diante, eu passei a não me preocupar mais com o fato de ser gago. Quer me ouvir, ótimo. Não quer? Foda-se! Quer tirar sarro, pode tirar! Mas depois, aguente a mula!

      Você pode estar se perguntado: “Daniel? Gago? Nunca percebi!”

      Provavelmente porque você sempre me encontrou em estado de euforia etílica. Meus amigos de Londrina costumam dizer quando eu gaguejo: “Bebe aí, Portuga! Você ainda tá sóbrio!”
    • por daniel
    • 20.Out.2004 às 09:09 - Permalink - Reportar
    daniel
    • Mais alguém aí quer compartilhar sua gagueira???

      - Olá, meu nome é X
      coro - Olá X!
      - Estou há dois meses sem gaguejar
      coro - clap clap clap clap
    • por helena cogumelo
    • 21.Out.2004 às 00:45 - Permalink - Reportar
    helena cogumelo
    • ah , é bonitinho, mesmo ( amigo é pra essas coisas, né?)
      e aí. vc vem pra cá guria?
    • por gianna
    • 21.Out.2004 às 13:29 - Permalink - Reportar
    gianna
    • Guagueira me parece melhor que atrofia vocálica...
      Acho que sou mais expressivo ao escrever do que falando!
      8-)
      Falo pouco e ainda falo baixo! Ninguém me escuta...
      -...
      -Quê?
      -S... cad...o?
      -Hein?
      TOMBO!
      -Ca-dar-ço...
    • por Chic0
    • 22.Out.2004 às 09:17 - Permalink - Reportar
    Chic0
    • Ah! dizem para eles que vc nao é gaga nao, vc nao tem é pressa para falar!
    • por de BH
    • 31.Out.2004 às 08:34 - Permalink - Reportar
    de BH
    • olá,estou cursando último ano de ciências biológicas,licenciatura plena p/dar aulas,não sei como farei pois sou gaga...
      Abraço
      DD.
    • por DEISI
    • 18.Jan.2006 às 23:29 - Permalink - Reportar
    DEISI
    • Eh Simples para a Guagueira ou a famosa´ lingua pequena´ parar , tem 2 etapas, a 1 eh vc ter muita calma para falar,mesmo estando nervoso tenha calma para falar , pq quando vc esta sozinho ou quando vc fala com si proprio na mente voce naum guagueja? é pq vc sabe que ninguem pode ouvir eh isso te dexa calmo , por isso vc nao guagueja, A 2 etapa eh muito + simples,pegue qualquer livro, e leia ele do lado de uma pessoa que quando vc fala com ela vc sempre guagueja, nao tenha medo,leia e nao se importe com oq os outros falam, SE AS PESSOAS NAO GOSTAM DE VC DO GEITO Q VC EH ELAS Q SE FODAM PQ SEMPRE VAI EXISTIR PESSOAS QUE IRAO TE AJUDAR E SEMPRE ESTARAO COM VC, quando eu descobri isso eu finalmente superei a guaguera , bom.. as vezes da uma escapada + quase nao da para perceber
    • por Andre
    • 16.Mai.2006 às 23:05 - Permalink - Reportar
    Andre
Deixe um comentário

Seu e-mail não será publicado

captcha

Digite os caracteres da figura acima. Temos que fazer isso para evitar spam.

Ainda não é cadastrado? Cadastre-se agora!