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Quero saber o que você faz quando não estamos juntos.
Um pequeno passo em direção a loja de eletrodomésticos, mas um grande salto para a nova era dos DVDs.
Finalmente tenho um DVD player!
Era uma vez uma menininha doce e meiga chamada Heleninha Cogumelo. Certa vez, quando voltava da Floresta feliz e contente, às 11h da noite, a pequena Helena foi surpreendida por um enorme lobo-mau, peludo, dentuço e com mau hálito. De dentro do seu Fiesta prata, ele dirigia devagar, bem ao lado da trilha que Heleninha escolheu para chegar em casa em segurança.
- Olá, pequena. Está chovendo. Você está sozinha? Faz tanto frio aí fora... por que você não entra no meu carro? Para onde você vai, pequena?
Heleninha não fez caso do lobo-mau e continuou andando como se nada estivesse acontecendo. Mas, o lobo insistiu:
- O que que há? O gato de botas comeu sua língua? Diga aonde você vai que eu levo você, chuchu.
Já um tanto irritada com as provocações, a pequena respondeu:
- Olha, seu lobo, eu estou indo para a CASA DO CARALHO. Por que você não vai na frente e me espera lá hein!?
Não te doas do meu silêncio:
Estou cansado de todas as palavras.
Não sabes que te amo?
Pousa a mão na minha testa:
Captarás numa palpitação inefável
O sentido da única palavra essencial
- Amor.
Poema Pousa a mão na minha testa de Manuel Bandeira.
- Helena, estou com fome!
- Não mãe, você não está com fome. Nós acabamos de jantar... você deve estar é com vontade de comer alguma coisa só.
- É, quero comer comida salgada, assim, arroz, sabe?
- Ahhh... então vamos pedir uma pizza!
- Pizza...? Ah não...
- Tá, então vamos abrir uma lata de atum!
- Ah, atum? Só se fosse pizza de atum!
- Mas pizza? Você disse que não queria pizza...
- Já sei! Arroz com atum!
- Beleza. Onde está o abridor?
E comemos arroz com atum às 11h da noite, confortavelmente acomodadas no sofá, assistindo A Grande Família.
Palimpsesto + Palinódia + Paródia = Palimpnódia
O processo da Palimpnódia consiste em reunir versos de um autor sob uma nova ótica, demolindo ou não a métrica estabelecida. Assim qualquer um pode, como eu, fabricar uma historinha inútil e despretensiosa, como essa.
Não há amor sozinho. É juntinho que ele fica bom. Eu queria dar-lhe todo o meu carinho, queria ter felicidade.
Amo-te como amigo e como amante numa sempre diversa realidade: sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Mas o louco amor meu, que quando toca, fere, e quando fere vibra, prefere ferir a fenecer - e vive a esmo.
Então resta esse sentimento de infância subitamente desentranhado de pequenos absurdos, essa capacidade de rir à toa, esse ridículo desejo de ser útil e essa coragem para comprometer-se sem necessidade.
Essa terrível coragem diante do grande medo, e esse medo
Infantil de ter pequenas coragens.
Ganha um doce quem conseguir identificar os poemas citados nessa palimpnódia.