Certamente você lembra da última vez que viu a imagem de uma pessoa nua. Mas é possível que já não se lembre do que ocorreu imadiatamente antes ou imediatamente depois da visão do Jardim do Éden. Um estudo da Universidade Estadual do Meio-Tennessee, mostrou que a memória do sujeito fica abreviada antes e depois que é posto frente a frente com uma imagem de nu.
O objetivo do estudo é descobrir por que o cérebro grava umas informações e descarta outras. Os voluntários eram expostos a séries de fotos que mostravam pessoas em alguma atividade - uma mulher colocando gasolina no carro, um homem sentado em frente ao computador - nuas e depois vestidas. No fundo das imagens, estavam alguns objetos como uma planta, um violão, só para testar até que ponto a atenção converge para elementos periféricos da foto. Depois de verem as fotos, os voluntários faziam uma atividade de distração por cinco minutos e eram questionados sobre o conteúdo das fotos.
Quando se tratava da fotos dos peladões os acertos eram de 92%. Já quando se tratavam de fotos dos recatados, o percentual de acerto caía para 55%. Maaaas, nas fotos de pessoas vestidas, os voluntários guardavam três vezes mais as informações dos detalhes. E nas fotos imediatamente anteriores e posteriores às imagens dos peladões, o índice de acertos caía pela metade em relação à média acertos nas imagens de pessoas vestidas - o que demonstra uma certa amnésia provocada pelas imagens de nus.
Ou seja, uma vez que você esteja nu, os detalhes serão imediatamente esquecidos. Um motivo a mais para você não se preocupar tanto com as celulites, estrias, e gordurinhas fora do lugar. A menos que as imperfeições superem a categoria de “detalhe”, só se precupe em disfarçá-las quando ainda estiver vestida, o que, convenhamos, ainda é muito fácil.
Com base neste estudo, podemos também usar essa “amnésia temporária” a nosso favor quando somos pegos em algum flagra. Se você for pega na cozinha comendo o bolinho do seu irmão, simplesmente tire a roupa e mostre os peitos. Ele nem vai reparar que o bolinho não está mais lá!
A reportagem na íntegra aquiFolha de São Paulo, 21/12
Caderno Sinapse
Sem roupa, sem memória
Estudo sugere que ver imagens de pessoas nuas provoca amnésia temporária
Rogerio Wassermann
free-lance para a Folha, de Londres
Se você compra revistas de mulheres nuas para ler a entrevista, pode estar perdendo seu tempo. Um estudo feito na Universidade Estadual do Meio-Tennessee (EUA), mostrou que o impacto de imagens de pessoas nuas sobre a memória é tão intenso que provoca uma espécie de amnésia temporária, que impede a pessoa de se lembrar do que viu imediatamente antes e imediatamente depois do nu.
Segundo o professor Stephen S. Schmidt, autor do estudo “Emoção e Memória” (www.mtsu.edu/~sschmidt/Cognitive/emotion), o objetivo era investigar por que o cérebro retém certas informações por um longo tempo, enquanto outras são prontamente descartadas. Para isso, precisava de estímulos emocionais fortes e que pudessem ser comparados a outros semelhantes. Então decidiu estudar a reação das pessoas ao verem fotos de nus, que causam grande impacto emocional e permitem a comparação com fotos semelhantes, de pessoas vestidas.
O último estudo de uma série realizada por Schmidt sobre o tema foi publicado no “Journal of Experimental Psychology”, da Associação Psicológica Americana. Nesse estudo, ele relata três experimentos utilizando como base fotos de homens e mulheres em alguma atividade específica (uma mulher colocando gasolina em um carro, um homem sentado à frente de um computador etc.), uns com roupa, outros não. No fundo das imagens, ele inseriu alguns objetos, como um violão ou uma planta, para testar o grau de lembrança dos detalhes de cada foto.
As imagens eram então projetadas em uma ordem aleatória para um grupo de voluntários, divididos em número semelhante entre homens e mulheres. No primeiro experimento, as fotos foram mostradas com intervalos de três segundos entre elas, com uma foto de nu entre 14 imagens de pessoas vestidas. Depois de verem as fotos, os participantes faziam uma atividade de distração por cinco minutos e eram então questionados sobre o que lembravam das fotos que haviam visto.
As fotos de pessoas nuas tiveram uma porcentagem de 92% de acerto, em comparação com 55% das fotos de pessoas vestidas. Porém o grau de lembrança dos detalhes de cada foto foi três vezes maior para as fotos de pessoas vestidas. Além disso, o experimento mostrou que a memória sobre as imagens imediatamente anteriores e imediatamente posteriores às fotos de pessoas nuas caía em alguns casos pela metade em relação à média de acertos sobre as demais fotos de pessoas vestidas.
Para verificar o grau dessa amnésia temporária provocada pelas fotos de pessoas nuas, Schmidt repetiu o experimento com outros voluntários, desta vez aumentando o intervalo entre a exposição das imagens de três para dez segundos. Nesse intervalo, para desviar momentaneamente o foco do pensamento, os participantes precisavam responder a uma pergunta sobre a pessoa da foto.
O resultado desse segundo experimento mostrou uma redução tanto no grau de lembrança das fotos de nus (de 92% para 83%) como no das demais fotos (de 55% para 37%). Apesar disso, a diferença entre a porcentagem de acertos nas fotos posteriores às imagens de nus e nas demais fotos desapareceu, indicando que aquela amnésia é temporária.
Por fim, Schmidt realizou um terceiro experimento, invertendo a lógica do primeiro. Dessa vez, ele inseriu uma foto de pessoa vestida em meio a várias imagens de pessoas nuas. Se o impacto sobre a memória tivesse sido provocado pela particularidade de uma imagem de uma pessoa nua em meio a fotos de pessoas vestidas, o resultado desse terceiro experimento deveria ser inverso ao primeiro, segundo Schmidt. De fato, houve uma inversão na proporção de acertos (69% para as fotos de pessoas vestidas e 17% para as fotos de pessoas nuas).
Porém, a foto diferente na seqüência, a da pessoa vestida, não provocou a mesma reação de amnésia temporária provocada pela foto da pessoa nua no primeiro experimento. E a memória para os detalhes das imagens continuou melhor para as fotos de pessoas vestidas.
“Minhas pesquisas estão relacionadas ao papel da emoção na memória”, diz Schmidt ao Sinapse, em entrevista por e-mail. “Outros pesquisadores usam imagens de pessoas machucadas, como vítimas de acidentes ou tiros, mas eu queria testar as teorias com as emoções geralmente positivas provocadas pelos nus”, explica.
Schmidt admite que o foco de suas pesquisas pode parecer estranho à primeira vista e conta que um resenhista classificou uma vez um de seus artigos acadêmicos de “propaganda da Playboy.com”. De um modo geral, porém, ele afirma que “não há preconceito nenhum” contra suas pesquisas entre seus colegas acadêmicos. “Pelo contrário, outros pesquisadores se mostraram bastante interessados”, diz.
Publicado em 21 de dezembro de 2004 às 16:22 por helena cogumelo
OBRIGADA, HELENA!!!