Estive passando uns dias em uma cidade quente como o inferno, onde o álcool evapora antes de inebriar.
Anãs e seus ursinhos de pelúcia cantam pelas ruas que cansaram de ser gatas.
Dois cariocas bêbados, um desinger e um mergulhador de profundidades abissais, torcicolam pelo calçadão que não é de Ipanema.
Um lugar onde as pessoas legais se chamam Jana e fazem parte da Turma do Galão Mágico. As portas não têm fechadura, nem as chaves têm segredo. As pessoas entram e saem das casas como quem respira. Respira, não, esbofa de calor.
E a gente sai do Brasil sem lei pela porta dos fundos, praticamente despejados quando ainda nem amanheceu. O sol nasce no posto onde o passageiro da agonia toma a última cerveja.
Mas essa cidade costuma existir apenas no primeiro dia do ano.
Publicado em 03 de janeiro de 2005 às 15:45 por helena cogumelo
Perdona-me por não ter me despedido comme il faut. Fica para a próxima, belíssima! Mil beijos!