Enquanto estivemos em Londrina, tivemos uma conversa um tanto surreal. Influenciada pelo assunto da vez, a anã cantora candidata a vereadora, Maysa Mattos, comecei a pensar em um ensaio dessas revistas descoladas como a Trip ou a Tpm que trouxesse fotos sensuais de um anão. Logicamente seria um sucesso de vendas, afinal todas nós naquele apartamento tínhamos curiosidade de saber qual é o tamanho do pau de um anão.
A minha idéia foi prontamente repreendida. Voltamos ao circo de horrores! Explorar assim a imagem de uma deformidade! Que horror, que falta de ética!
Me surpreendi comigo mesma, pois posso com isso ter descoberto que sou uma pessoa sem escrúpulos, mas eu não vejo maiores problemas em realizar um ensaio profissional de fotos sensuais de um anão. Explico. No caso dos circos de horrores os anões ficavam completamente submetidos ao dono do circo, era um caso de escravidão, o anão não era dono de seu próprio corpo - o que penso ser a faceta condenável desse tipo de “entretenimento”.
Agora, quando o anão vai explorar sua própria deformidade não vejo maiores problemas, afinal, o corpo é dele; e curiosidade todo mundo tem. É certo que esse é um tipo de notoriedade considerado de baixíssimo nível, mas penso que isso tem algo a ver mais com a invisibilidade das deformidades na sociedade dita “normal” do que com porblemas éticos. Uma vez que mostrar as deformidades seja algo corriqueiro, que as deformidades sejam mais visíveis, o pessoal vai começar a encarar com mais naturalidade essas diferenças e parar de apontar o dedo assustado para um deficiente, para um anão, ou para um cara mega feio. E quem sabe até consigam ver a beleza que há no corpo do anão, da gorda, do feio.
E quem sabe até passem a votar na Maysa... e no Vanhoni!
!++148++!
Publicado em 07 de janeiro de 2005 às 20:40 por helena cogumelo