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27 February 2005

O poder regressivo da esponja gigante


Se algum dia você quiser se sentir novamente como uma criança, compre uma esponja gigantesca. Mas tem que ser GIGANTESCA mesmo. Você tem que sentir que a sua mão não consegue segurar algo daquele tamanho. Você será obrigado a pegar a esponja com as duas mãos.

Seu banho voltará a ser tão divertido quanto naquele tempo que você molhava o banheiro inteiro só porque a água existia e era transparente e escorria pelo corpo e deixava o cabelo engraçado. Você vai passar a esponja como se fosse a primeira vez que você estivesse tomando banho sozinho. De alguma maneira você sentirá a independência que é tomar banho sozinho... e vai começar a rir no banheiro. As pessoas vão pensar que você está ficando louco. Você vai esfregar o cabelo com xampu e vai fazer um moicando com o cabelo cheio de espuma. E vai continuar a rir. Pode até ser que você comece a cantar usando chuveirinho como microfone. A esponja, de tão grande, vai esfregar toda a superfície da sua barriga de uma vez só, e você vai sentir o quanto você ainda é pequeno.

E você vai sair do banheiro com cara de adulto - porque agora você toma banho sozinho - como se nada tivesse acontecido. E vai deixar o banheiro com enormes lagos no chão, tão grandes quanto a esponja que você acabou de usar.

25 February 2005

Homenagem a Mário de Andrade


Ai!... que preguiça!...



24 February 2005

Susan Sontag (1933-2004)


Do site da Companhia das letras

Em Questão de ênfase, que a Companhia das Letras lança em março deste ano, a escritora e ativista Susan Sontag (1933-2004) reuniu cerca de quarenta ensaios que publicou nas últimas duas décadas.



Durante o ano passado, disperdicei algumas semanas da minha vida atrás de um livro esgotado e fora de catálogo de Susan Sontag. Disperdicei sim, e falo sem medo pois não havia nessa maldita cidade, um maldito livro, esquecido em um maldito sebo, que estivesse disponível para satisfazer meu desejo de posse.

Meu desejo era tão intenso e incontrolável que simplesmente ler o livro da biblioteca não me bastava. Eu precisava TER o livro. Mas ele estava fazendo jogo duro. Essas malditas editoras compram os direitos de reprodução dos livros e não os reproduzem!!! Susan Sontag faz parte de um seleto grupo de autores que deveriam fazer a editoras mudarem a natureza dos contratos - de “direito” de reprodução para “dever” de reprodução.

Como sou volúvel, desisti de possuí-lo. Mas esse nome, Susan Sontag, sempre volta à minha mente associado a um sentimento de profunda frustração. Como assim ainda não tenho um Sontag?

A situação se agravou com a morte da autora. Fiquei abismada, arrasada. Mas uma chama de esperança - chamada “reedição” - se acendeu.

Não há outro jeito. Passarei a ser uma feroz devoradora de obituários.

21 February 2005

Concertino


Tua voz, por mais suave e calma, reverbera dentro de mim como um grito agudo e desesperado de um violino em concerto.

Como espera que eu durma depois disso?

19 February 2005

???


Eu quero saber quem foi que colocou essas borboletinhas no meu estômago.

17 February 2005

hum...


Costumo me dedicar a causas perdidas. Perdê-las primeiro, para depois dedicar-me a elas.

frase chupada de um cara foda aí

+++

Eu quero um abraço.


14 February 2005

Vinil em três lados


Seis lados tem um cubo
Isso é fácil de saber
Agora eu quero ver
quem é capaz de me dizer
quantos lados tem um ser

Lado A

Na grandeza do teu lado
me dás um lado teu
Me lanço no teu lado
e te dou um lado meu

Ao olhar meu lado errado
um verso esmoreceu
Lembra que dentro do lado
tem o lado que sou eu

Lado B

Se me olha atordoado
me toma um lado a mais
E não terei nem disfarçado
o bem que você me faz


Lado de fora

Alguns te diriam “quadrado!”
Mas creio que estão enganados
Até o mais quadrado dos quadrados
ainda sim tem quatro lados.

Tu sofres o mundo dobrado,
pois defines tudo em dois lados.

06 February 2005

Carnaval na TV

Tantas bundas redondas e barrigas jacaré me deprimem.
Me fazem pensar que o máximo que eu conseguiria no caranaval do Rio é desfilar na ala das baianas.

06 February 2005

O momento


A tia Perivalda sempre aconselha filho, não beba, não fume, não cheire maconha, não faça séquisso, não esqueça o agasalho
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Mas quem esqueceu alguma coisa aqui foi a tia Perivalda. Ela se esqueceu de me avisar dos perigos entorpecentes da memória - a droga mais acessível do mercado.

E justamente por causa da tia Perivalda, que me advertiu sobre os perigos da vida, cá estou eu a ouvir música, pensando naquela incrível, ótima, fantástica, estupenda sensação que a memória traz.

Porque a memória nada mais é que o re-sentimento. Por alguns instantes, a minha mente consegue voltar ao estado que a alma alcançou no momento em que aquele beijo aconteceu, aquele acorde foi tocado, aquele olhar, aquele ai - em doses menores, é verdade, mas essa migalhinha que ela fornece já é o suficiente para que a pele, os olhos, a respiração voltem ao mesmo ponto. Digo, na verdade é um ponto além, pois agora tenho na mão o controle remoto para rever as melhores cenas, para aditantar as cenas ridículas e para ver os extras (as aparas do filme, os finais alternativos) e os comentários do diretor.

Na memória tenho o domínio completo da situação, por isso quanto mais antiga, melhor - vira clássico, vira vinho envelhecido nos tonéis da alma para que seja curtida assim, bem velha, bem depois, bem devagrinho.

A memória é uma droga paralisante. Fico vacilante entre a vontade de tentar algo novo ou colocar de novo aquele devedê e voltar a sentir o fino bouquet daquele vinho envelhecido.

Eu diria que a memória é quase como aquela sensação de um beijo no pescoço. E aquela puta paga da tia Perivalda me não falou nada sobre beijos no pescoço.

É cada vez mais difícil resistir a sua tentação.

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04 February 2005

Cenas Inexplicáveis, mas com certa lógica


Um escort vermelho no meio de uma rodovia congestionada com um cavalo morto sangrando no porta-malas, às 6h30 da manhã. Logo atrás do escort, um carro amassado na parte da frente e de trás. Atrás deste carro, um caminhão batido. O escort não tem amassados na parte traseira.

O carro do meio atropelou o cavalo, que deu uma piruteta no ar e caiu desfalecido. O caminhão que vinha atrás não teve tempo de frear e bateu no carro da frente. Um neurótico alomodovariano num carro vermelho assistiu à cena, ficou com pena do animal inocente e quis levar o cavalo ao hospital mais próximo. Ao colocar dito no porta-malas, notou que o coitado já estava morto. Irritado, o neurótico chamou a Polícia Rodoviária Federal que registrou a ocorrência:
Colisão do tipo traseira com atropelamento e uma vítima fatal, na BR 116.

03 February 2005

Hahahaha... mas ninguém dorme no ponto...



boza

“Alguém viu meu companheiro Bozo por aí? Dormi com ele, mas quando acordei ele já havia ido embora...”


01 February 2005

eu ué


Eu exagero na firmeza, acabo por ser grossa.
Eu exagero no eu-dou-um-jeito, acabo me ferrando.
Eu exagero na sensibilidade, acabo cheia de auto-crítica.
Eu exagero nas desculpas, acabo exagerando o drama.
Eu exagero na coragem, acabo caindo no precipício.
Eu exagero na sinceridade, acabo uma relação.
Eu exagero no não-ligo-pra-isso, acabo como a sempre-compreensiva.

Eu exagero. E acabo.