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28 March 2005

Bad Trip no Reino Funghi


Helena Cogumelo foi encontrada morta no banheiro de sua casa, um enorme Agaricus campestris num bairro nobre do Reino Funghi. O corpo estava dentro da banheira imerso em um líquido que parecia ser infusão alucinógena. O líquido foi enviado para análise. Dentro da banheira, a perícia encontrou um telefone sem fio e um secador de cabelo.

As evidências apontam para o suicídio, mas o delegado da Delegacia de Homicídios, Rubens Recanetti, não descarta a hipótese de crime passional. “A vítima tinha um relacionamento conturbado com uma amiga íntima de mesmo nome, Helena Santana”, conta Recanetti. “Além disso, a presença do secador não está justificada, pois como todos sabem os Cogumelos não têm cabelos. Eles usam apenas chapéu”, comenta.

Segundo os vizinhos, Helena Cogumelo, conhecida também como Funghi, vinha apresentado um comportamento estranho. “O telefone estava sempre ocupado, principalmente de madrugada”, disse Inez Consuelo, amiga da vítima.

Histórico
Essa não é a primeira vez que Cogumelo se suicida. Há quatro anos, quando fazia parte do Centro Acadêmico de Comunicação Social, o CACOS, Cogumelo havia se suicidado também mergulhada numa banheira. Na outra ocasião, ao lado do corpo havia uma carta testamento e um laptop conectado à internet.

27 March 2005

Não acaba nunca mesmo


se ela ainda morasse em casa com quintal para poder enterrar o companheiro, mas não tinha jeito, em apartamento, o que posso fazer? tive que jogar no lixo mesmo. eu costumava morar em casa mesmo era muito mais tranquilo, a gente tinha menos vizinhos mas conversava com eles, conhecia, ia contar a nossa vida, os vizinhos eram pessoas que nos ajudavam. agora depois que mudei para esse apartamento não tenho contato mais com ninguém, veja só você mesmo, só vim conversar com você porque meu gato caiu, senão seríamos completamente desconhecidos! os vizinhos protegem a gente, tem pessoas que não têm com quem contar, só com os vizinhos. sem vizinho a gente fica muito só. um vizinho meu que morava na vila madalena comigo era obeso mórbido sabe, não tinha ninguém na vida. eu ia sempre conversar com ele, que pelo menos, enquanto conversava ele não comia. um dia ele resolveu que ia se mudar para um apartamento, ele já estava com 180 quilos! a filha dele, visitava de vez em quando, mas cada vez que ela ia lá ele estava vinte quilos mais gordo, então resolveu parar de visitiar para ver se ele parava de engordar. ela contratou um moço para cuidar do pai e nunca mais apareceu. só que ela não sabia que o moço, coitado, era epilético, uma vez o moço teve um ataque enquanto ia ao supermercado para fazer as compras para o gordo, e acabou sendo levado para um hospital psiquiátrico, nunca mais conseguiu sair do hospital. o gordo então, sem ter ninguém para trazer comida, começou definhar, chegou um dia em que a única coisa que ele tinha na vida pra comer era um bombom sonho de valsa e o gordo foi comer o bombom, só que ele não tinha forças nem para sentar ele comeu o bombom deitado mesmo. o gordo salivou tanto, mas tanto que acabou morrendo afogado com a própria saliva. mas isso nem foi o pior da história, o pior foi que o gordo, sozinho, não tinha ninguém pra sentir falta dele, morreu sozinho no apartamento, só acharam o gordo uma semana depois, quando começou a feder muito, mas muito mesmo. o fedor era tão grande que os vizinhos do andar de baixo resolveram se mudar para uma casa, não aguentaram mais morar em apartamento! A família se mudou tão às pressas que acabou alugando uma casa muito podre, caindo aos pedaços. teve gente que dizia que a casa era mal assombrada porque a viúva que morava lá antes tinha enterrado o marido no quintal, porque não tinha dinheiro pra fazer o funeral. a velha morreu depois que tropeçou na cova. a cova tinha ficado aberta porque a velha, coitada não tinha forças para pegar na pá, ficou tão deprimida com a morte do companheiro que não conseguiu fechar a cova. todo dia ela ia até a beira da cova e colocava mais flores, pra tentar abafar o fedor que saía daquele lugar. um nojo. voce sabe que os mexicanos têm uma superstição que, no dia dos mortos, eles batem na cova pra sair, mas como estão enterrados não conseguem sair, então fazem uma festa no underground mesmo. só que o morto, como não estava com a cova fechada, acabou foi saindo da cova. e não quis mais voltar. no dia de los muertos, o esqueleto saiu por aí, com as flores todas enganchadas nas costelas, na clavívula, na bacia. se assustou a criançada? que nada! a criançada foi ainda zoar com o moço magrinho todo decorado que apareceu na rua! os cachorros começaram a correr atrás do morto, vixe, todos querendo um ossinho para roer, que os cachorros também merecem comer um pouco melhor num dia especial, assim como a gente come bacalhau na sexta-feira da paixão, os bichinhos também querem comer bem.

27 March 2005

Acabou a brincadeira


Resolveram me colocar de castigo e nem me disseram o porquê!

25 March 2005

Não acaba nunca


Ah, os homens falam mesmo. Esses dias resolvi só ouvir, sem falar nada. Fiquei três horas ouvindo reclamações, angústias e tudo. O homem que serviu de cobaia para a minha experiência ouvinte, eu queria saber até quando ele ia conseguir continuar falando e falando, ele nem se importava se eu estava ouvindo de verdade, mas eu estava ouvindo sim, a cada palavra eu retribuía com uma feição mais interessada até que ele começou a achar que estava fazendo sucesso comigo contando suas besteiras, e as besterias eram realmente um saco, mas na minha experiência acabei achando legal saber de tudo. Quanto mais confiante o homem ficava mais ele falava sem pensar, o filtro de bobagens foi diminuindo e ele começou a falar mesmo sem filtro algum, porque eu não censurava nada que ele dizia por mais mané que pudesse parecer, eu apenas ouvia interessada, e então começou a ficar realmente interessante o fluxo dos pensamentos que o homem tinha e comecei a pensar o que uma coisa tinha a ver com a próxima coisa que ele contava. As coisas se intricavam de forma muito interessante, pareciam as histórias da Sherazade, uma história levava a outra, e elas nunca terminavam completamente. O homem nunca se cansava e eu não conseguia parar de ouvir, ficava tentando imaginar qual seria a próxima coisa que ele diria, a qual cena ele remeteria depois, o homem era o homem de todos os assuntos, incrível como uma pessoa pode guardar tantos assuntos dentro de si e olha que nem era uma homem tão culto assim, que a gente dissesse esse aí já leu muitos livros não. Será que as pessoas todas conseguem contar uma história como a dele, ter passado por tantas coisas insignificantes e tão vulgarmente interessantes? Em uma das histórias que ele contou, o homem estava tomando banho e de repente um gato passou pela janela do banheiro e ele gritou assutado. O grito dele que morava no décimo primeiro andar acabou assustando o pobre do gato que escorregou e caiu lá embaixo. Como a gente sabe os gatos caem de pé mas não adianta muito cair de pé de uma altura como onze andares, se estrepou da mesma forma, quando ele viu o gato estatelado aí que gritou mais forte ainda e desceu assim mesmo enrolado numa toalha para ver se o gato tinha conseguido cair de pé, é lógico que ele não conseguiu, se conseguisse a dona poderia colocar o gato no livro dos recordes imagina? o gato que caiu de uma altura gigantesca e conseguiu sair andando. a mulher viúva dona do gato quis que o homem pagasse outro gato porque era um gato angorá com pedigree e tudo, que ela tinha ido buscar no gatil com sangue persa e não sei mais o que depois que a mulher tinha ido na casa de uma amiga que lhe contou como os gatos são criaturas com personalidade e ela quis ter um gato também. ela achou estranho ter um gato num apartamento porque os gatos, como se sabe, são muito independentes, e ele não teria espaço para andar por aí mas então descobriu um tipo de raça que é mais caseiro e começou a conversar com o marido para que ele aceitasse a idéia de ter um gato em casa. o marido era uma pessoa muito conservadora não queira saber de novidades até porque ele era funcionário público e todos os dias ele saía de casa no mesmo horário, ele nem precisava mais olhar o relógio. até o horário de verão ele já sabia quando começava e quando terminava, só observando sua própria rotina, muito observador o marido da dona do gato. ele sempre batia o ponto às oito e vinte e dois oito e vinte dois oito e vinte e dois, quando a mulher trouxe o gato ele, que era observador, mas também já estava ficando velho não observou mais direito e tropeçou no rabo do maldito gato e acabou chegando no trabalho e batendo o ponto às oito e vinte quatro meu deus oito e vinte e quatro oito e vinte quatro e aquilo foi um choque tão grande que o homem se jogou do décimo primeiro andar justamente da forma como o gato repetia agora. o homem ficou ressabiado pensando se ele tivesse assustado o marido da dona viúva do gato, se ele teria que pagar um marido novo para ela, ou pelo menos o enterro e a vaga no cemitério. se tivesse que ir no enterro não iria não, tinha pavor de cemitério, seria mais fácil jogar o marido no lixo assim como ela fez com o corpo do gato estatelado. se ela ainda morasse em casa com quintal para poder enterrar o companheiro, mas não tinha jeito, em apartamento, o que posso fazer? tive que jogar no lixo mesmo.

20 March 2005

Irmãos, choremos!


Festival de Teatro, é desfeita ficar sem assistir a alguma peça. Pois bem, resolvi assistir “A última viagem de Borges”, peça baseada no livro do Ignácio de Loyola Brandão. Na história, o Borges viaja atrás de uma palavra que perdeu e não consegue recuperar. Enfrenta o seu pavor de espelhos, bem divertida a peça. Ao voltar para casa, depois do espetáculo, me dou conta de que milhares de palavras são perdidas a cada dia.

E elas se vão acompanhadas, as danadas! Veja só a expressão “vira o disco!”

Provavelmente seu filho, ao ouvir tal expressão, já te olhe com uma cara de semi-desdém... que dirá seus netos!
Não há escapatória. Essa expressão irá entrar para para o rol das expressões perdidas, demodê.

Pensando bem, ainda lhe resta uma saída digna. Pode ser que ela vire uma expressão imemorial, dessas que têm uma razão histórica para existir, mas pessoas repetem sem pensar - assim como “será o Benedito?” ou “até aí, morreu o Neves”, ou ainda “agora Inês é morta”. E a expressão “cartão de visita” - ninguém mais usa os cartões para visitar, mas a expressão ainda vive!

E então, no ano de 2052, quando vitrola for artigo de museu, alguém com menos de 20 anos dirá “vira o disco!” e nós, pessoas com mais de 80 anos, daremos um risinho contido como quem diz “perdoai-os, eles não sabem o que dizem!”

19 March 2005


Resolvi deixar que os meus defeitos escolham o que devo ou não enxergar - tirei os óculos.

18 March 2005

Ai se sesse...


E eu tenho certeza de que você nunca lerá essas palavras, apesar de serem diretamente endereçadas a você. Você que acabou de tirar os sisos. Você que deve estar deitado na cama dos seus pais, em plena sexta-feira a noite. Que está naquele torpor preguiçoso dos analgésicos, com as bochechas inchadas parecendo o Quico. Que poderia agora estar sendo coberto de cafuné se não fosse tão teimoso, se fosse mais sutil, se calasse mais que falasse, se desse, ao menos uma vez, o braço a torcer.

Eu poderia chegar com um DVD tão inútil quanto Harry e Sally e lhe servir de travesseiro com a barriga. E você ficaria ouvindo meus barulhos estranhos e achando engraçado. Eu estouraria pipocas e só depois me daria conta de que você não pode mastigar aqueles pequenos pedaços caóticos de isopor. E eu comeria a pipoca rindo e tirando sarro da sua cara. Você então me perseguiria pela casa e eu levaria um tombo só pra ter alguma dor para compartilhar.

Eu, que estou aqui em casa em plena sexta-feira a noite. Que não faço idéia de que música você está ouvindo, que nem mesmo sei se você gosta de ouvir música. Que poderia estar sendo coberta de cafuné se desse, ao menos uma vez, o braço a torcer e aceitasse a zebra que é querer bem a alguém que não faz o meu tipo.


++++

De repente, no domingo eu assisto De Repente, num Domingo nessa mostra do HSBC.
Truffaut...

18 March 2005

Nota

Do jeito que anda crescendo o número de assassinatos próximo a escolas, daqui a pouco os vereadores vão ter que estender também aos colégios a lei de fechamento dos bares.

14 March 2005

Pausa Mortis


Há algum tempo estive numa fase meio mórbida. Durante mais ou menos uma semana, não havia um dia sem que pensamentos sobre a minha morte invadissem a minha mente. Todos os dias.

E era assim: eu estava dirigindo e, de repente, minha visão se desprendia da realidade e criava um novo caminho. Ao invés de cruzar calmamente uma preferencial - o que acontecia na realidade -, um Puma em alta velocidade atingia mortalmente o Laranja Mecânica.

Ou então eu estava em casa, deitada na cama, lendo e ouvindo música e, num arfar e um apertar de coração, eu era acometida por um aneurisma maligno que sempre esteve lá, sorrateriamente esperando a hora para terminar com a minha vida.

As visões só cessaram depois que criei a comunidade Velório da Helena no Orkut.

13 March 2005

LapaMundi

Quando na Lapa eu cheguei
um causo escutei
acompanhado de rabeca
e pisada de tamanco
de uma criança sapeca
e um senhor de cabelo branco

Nóis gostamo muito de dançá
o senhor começou a contá
no sábado tem fandango
as menina fica faceira
com a cabeça cheia de pango
muda tudo as maneira

Num dia chegou um moço
viola pendurada no pescoço
levava chapéu na cabeça
tinha voz de veludo
e mesmo que de cantá num careça
cantou de encantá nóis tudo

Fandango começou a esquentá
e o homem levantou pra dançá
e como sinal de respeito
que o povo daqui tem
o moço chegou com jeito
qurendo mesmo se dá bem

As menina tudo oiava
os home tudo desconfiava
mas o moço tinha artimanha
de tirá a mãe primeiro
para depois só na manha
dança coa filha baile inteiro

Quando o homem se engraçô
e cuma menina se engatô
um menino meio esperto
resolveu aprendê a dançá
foi chegando assim bem perto
mode os pé do moço oiá

O menino soltou um grito
pulou e ficou aflito
quando oiando constatava
que os pé do moço era redondo
de curupira se tratava!
ficou todo mundo tonto

e o fandango em alvoroço
partiu pra cima do moço
os músico tudo parô
o terreiro escureceu
bola de fogo o moço virô
e deserto tudo pareceu

Foi essa a história
que engoli com chicória
quando na Lapa eu almocei
resolvi descansá
e num banco sentei
pra mode proseá

10 March 2005

Outro recado na secretária


Merda!
Quero ir ao cinema com você, seu puto!



10 March 2005

Vamos para a Lapa ô, ôô ôô


Acabo de confirmar minha ida para o Festival de Imagem da Lapa.

Iremos divulgar a vasta e criativa produção universitária paranaense - os vídeos vencedores do PUTZ do ano passado - e incentivar o pessoal a inscrever seus trabalhos no PUTZ desse ano.

Volto sábado a noite. Uhu!

Aproveitar para tirar umas fotos legais em PB...

Hasta la vista muchachos!

09 March 2005

O recado que você não ouviu na secretária eletrônica


Eu vou fazer o seguinte: vou colocar numa mala a roupa que estou usando e enviar para você. Assim você já pode ir tirando a minha roupa e espalhando pelo chão do seu apartamento enquanto eu não chego.


07 March 2005

Manhã de sol


Basta um dia de sol para me fazer abandonar o que me pesava nas costas.

Incrível como eu desisto fácil.

05 March 2005

Aplausos por favor!


Senhoras e senhores, tenho o prazer de vos apresentar a incrível Helena no papel de...
Boba!

02 March 2005

Jardim dos caminhos entrecruzantes


Eu queria lhe falar do jardim dos caminhos serpenteantes,
mas creio que esse jardim não existe.
E eu faria papel de boba.

Eu queria lhe falar do jardim dos caminhos diretos,
mas creio que não sou direta o bastante.
E eu faria papel de boba.

Eu queria lhe falar do jardim dos caminhos que se bifurcam,
mas creio que você não é sutil o suficiente.
E eu faria papel de boba.

Eu queria lhe falar do jardim dos caminhos que se tangem,
mas esse jardim eu não conheço.
E agora já está muito tarde.

Vou dormir.

01 March 2005

Utilidade pública


Caros amigos,

Como a maioria do povo já sabe, estamos organizando um mega festival de vídeos universitários chamado PUTZ, o segundo.

Para marcar o início das inscrições, faremos um coquetel de lançamento, trés chic, na Fnac no Park Shopping Barigui, amanhã, dia 2, às 19h.

O negócio vai ser tipo uma vinhada, só que com vinho de qualidade e projeção dos vídeos vencedores na primeira edição.

O estacionamento é grátis, a comida é grátis e o vinho é grátis.
Não tem porque não ir.