Quando na Lapa eu cheguei
um causo escutei
acompanhado de rabeca
e pisada de tamanco
de uma criança sapeca
e um senhor de cabelo branco
Nóis gostamo muito de dançá
o senhor começou a contá
no sábado tem fandango
as menina fica faceira
com a cabeça cheia de pango
muda tudo as maneira
Num dia chegou um moço
viola pendurada no pescoço
levava chapéu na cabeça
tinha voz de veludo
e mesmo que de cantá num careça
cantou de encantá nóis tudo
Fandango começou a esquentá
e o homem levantou pra dançá
e como sinal de respeito
que o povo daqui tem
o moço chegou com jeito
qurendo mesmo se dá bem
As menina tudo oiava
os home tudo desconfiava
mas o moço tinha artimanha
de tirá a mãe primeiro
para depois só na manha
dança coa filha baile inteiro
Quando o homem se engraçô
e cuma menina se engatô
um menino meio esperto
resolveu aprendê a dançá
foi chegando assim bem perto
mode os pé do moço oiá
O menino soltou um grito
pulou e ficou aflito
quando oiando constatava
que os pé do moço era redondo
de curupira se tratava!
ficou todo mundo tonto
e o fandango em alvoroço
partiu pra cima do moço
os músico tudo parô
o terreiro escureceu
bola de fogo o moço virô
e deserto tudo pareceu
Foi essa a história
que engoli com chicória
quando na Lapa eu almocei
resolvi descansá
e num banco sentei
pra mode proseá
Publicado em 13 de março de 2005 às 16:48 por helena cogumelo