E eu tenho certeza de que você nunca lerá essas palavras, apesar de serem diretamente endereçadas a você. Você que acabou de tirar os sisos. Você que deve estar deitado na cama dos seus pais, em plena sexta-feira a noite. Que está naquele torpor preguiçoso dos analgésicos, com as bochechas inchadas parecendo o Quico. Que poderia agora estar sendo coberto de cafuné se não fosse tão teimoso, se fosse mais sutil, se calasse mais que falasse, se desse, ao menos uma vez, o braço a torcer.
Eu poderia chegar com um DVD tão inútil quanto Harry e Sally e lhe servir de travesseiro com a barriga. E você ficaria ouvindo meus barulhos estranhos e achando engraçado. Eu estouraria pipocas e só depois me daria conta de que você não pode mastigar aqueles pequenos pedaços caóticos de isopor. E eu comeria a pipoca rindo e tirando sarro da sua cara. Você então me perseguiria pela casa e eu levaria um tombo só pra ter alguma dor para compartilhar.
Eu, que estou aqui em casa em plena sexta-feira a noite. Que não faço idéia de que música você está ouvindo, que nem mesmo sei se você gosta de ouvir música. Que poderia estar sendo coberta de cafuné se desse, ao menos uma vez, o braço a torcer e aceitasse a zebra que é querer bem a alguém que não faz o meu tipo.
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De repente, no domingo eu assisto De Repente, num Domingo nessa
mostra do HSBC.
Truffaut...
Beijos no coração!