Festival de Teatro, é desfeita ficar sem assistir a alguma peça. Pois bem, resolvi assistir “A última viagem de Borges”, peça baseada no livro do Ignácio de Loyola Brandão. Na história, o Borges viaja atrás de uma palavra que perdeu e não consegue recuperar. Enfrenta o seu pavor de espelhos, bem divertida a peça. Ao voltar para casa, depois do espetáculo, me dou conta de que milhares de palavras são perdidas a cada dia.
E elas se vão acompanhadas, as danadas! Veja só a expressão “vira o disco!”
Provavelmente seu filho, ao ouvir tal expressão, já te olhe com uma cara de semi-desdém... que dirá seus netos!
Não há escapatória. Essa expressão irá entrar para para o rol das expressões perdidas, demodê.
Pensando bem, ainda lhe resta uma saída digna. Pode ser que ela vire uma expressão imemorial, dessas que têm uma razão histórica para existir, mas pessoas repetem sem pensar - assim como “será o Benedito?” ou “até aí, morreu o Neves”, ou ainda “agora Inês é morta”. E a expressão “cartão de visita” - ninguém mais usa os cartões para visitar, mas a expressão ainda vive!
E então, no ano de 2052, quando vitrola for artigo de museu, alguém com menos de 20 anos dirá “vira o disco!” e nós, pessoas com mais de 80 anos, daremos um risinho contido como quem diz “perdoai-os, eles não sabem o que dizem!”
Publicado em 20 de março de 2005 às 00:17 por helena cogumelo
8-)
Nunca tive um disco de vinil!