Vai descendo até o chão. Vai descendo até as profundezas da não-dignidade, quando você já não está sentindo a ponta do seu nariz e a sua boca é um pedaço de bife mole e inerte, e os seus dentes já estão secando, sem saliva, de tanto dar risada tresloucadamente.
Desce bem devagarinho, que é pra todo mundo ver a derrocada da elegância, a maquiagem escorrer pelo canto dos olhos, os pés descalços ganharem uma crosta negra formada por restos de bebidas, guardanapos, plumas e, ainda sim, continuarem a pular sobre cacos de finas taças estilhaçadas pelo chão.
Mão na perna, mão no peito, agora mão na capota do carro que é pra se escorar e vomitar com um pouco de conforto. O fim da festa é cada vez mais fascinante.
Publicado em 17 de abril de 2005 às 18:45 por helena cogumelo
O Tipos parece uma terra esquecida por todos no domingo... menos por nós, pelo jeito.
Belo texto, mas me preocupa.