Palacete assobradado

Pessoas terremóticas

Tem umas pessoas que me inspiram. São provocadoras de uma instabilidade inevitável. São o epicentro de um tremor que me desloca, me divide em duas - uma Helena que interage e outra que observa e pensa e registra e cuida para que nenhum momento seja esquecido. Não preciso nem conhecer direito a pessoa, apenas ficar ao seu lado já basta. Às vezes, só a lembrança dos trejeitos da pessoa terremótica já é o suficiente para me inspirar. Dou uma risadinha idiota e me ponho a pensar em planos, idéias, projetos.

A Gianna é uma pessoa terremótica para mim. Tem também uma menina caloura na faculdade, a Jaqueline, meu Deus. Que magnífico grau de terremoticidade! Aquilo sim é uma pessoa inspiradora. Se você quiser saber o que é uma pessoa terremótica, é só encontrar a Jaque. E olha que não troquei mais do que três palavras com ela! Ela tem um jeito inquieto, faz perguntas e ouve com uma atenção que transforma todo o resto do mundo em lixo. Tem uma aparência surfete, um pouco vaga, meio perdida, fora de foco, mas assim que começa a falar ela vai se definindo, vira uma pessoa nítida, tão nítida que seus limites são como lâminas que a destacam do mundo. Não sei muito sobre seus planos ou os motivos que a levaram a escolher esse curso. Toda vez que a enconto é um exercício divinatório para mim. Tento prever como ela será daqui a 4 anos, se o seu grau de terremoticidade será lentamente apagado, ou se se tornará ainda mais forte e mais definido.

Caso isso aconteça, terei que preparar algo para me proteger e impedir que eu me parta em mil pedacinhos quando a vir novamente.

Publicado em 11 de maio de 2005 às 13:02 por helena cogumelo

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