Palacete assobradado

A saga dos botões

eu nunca paro de falar. sou uma tagarela. quando sento assim num banco de praça vôo para longe conversando com meus botões. e eles conversam muito sabe? os meus botões. dia desses eu perdi um deles que, coitado, ficou perdido pela cidade. não sabia nem pedir informações, nem conversar com as pessoas, porque ele só fala a língua dos botões, não fala a língua dos homens. talvez ele consiga falar a língua dos guarda-chuvas, porque de tão perdido o botão deve ter ido parar no limbo dos guarda-chuvas esquecidos. quando você esquece um guarda-chuva você nunca mais consegue encontrar. e quando você perde um botão é mais difícil ainda de reencontrá-lo. além de ser muito menor que um guarda-chuva, o botão cai e quica e rola pra debaixo daquela cômoda que você imagina estar chumbada no chão. mas não, a cômoda tem um pequeno vão e é bem lá que o botão vai se perder. é a perdição dos botões. onde será que é a minha perdição? em algum vão por aí, na verdade eu até sei onde é a minha perdição, mas não vou contar aqui pra vocês, que essas coisas a gente não conta por aí. então depois que o meu botão se perdeu, eu tive que trocar todos os outros botões da minha blusa, porque eu nunca iria encontrar aquele estilo de botão para repôr o coitado que se perdeu por aí. então todos os outros companheiros do meu botão perdido ficaram sem ocupação, desempregados. pra você ver como no caso dos botões, a perdição de um é o desemprego de todos.

Publicado em 09 de junho de 2005 às 00:36 por helena cogumelo

Comentários

    • tinha uma piada de botões com casa, mas eu esqueci...
    • por Tulio, aquele
    • 09.Jun.2005 às 13:36 - Permalink - Reportar
    Tulio, aquele
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