adoro conversar no telefone, e o meu telefone, que antes era de discar, agora é de botão. tem muitos botões para eu conversar, principalmente quando não atendem ao meu telefonema. eu nunca desanimo e se a pessoa não atende, ou atende e não quer falar comigo, ou atende e finge que não me conhece ou atende e é engano, eu continuo a falar mesmo é com os botões do telefone. eles conhecem muitas coisas esses botões de telefone. sabem inclusive quem fica ligando para os outros na madrugada, meio bêbados de sono ou de pírulas - isso eles não sabem na verdade, que ninguém sai falando por aí se está bêbado de pírulas, de sono ou de manguaça mesmo. mas o interessante é conversar com eles enquanto a outra pessoa não atende. o tu.. tu.. do telefone vai tocando e eu imagino o telefone na casa da outra pessoa soando soando e ela no banheiro, no chuveiro, esperando o miojo ficar pronto. é uma desgraça quando você está esperando os três minutos do miojo e alguém liga. não dá nem pra dizer, olha liga daqui a três minutos, porque três minutos é muito pouco tempo. mas se você fica conversando o miojo vai esfriando e depois vira um grude, uma cola, uma gororoba que não dá pra encarar nem que a fome esteja digerindo seu próprio estômago. na verdade eu acho mesmo é que a parte mais emocionanate da ligação é esperar a outra pessoa atender e, enquanto espera, ficar elaborando possibilidades aqui com os meus botões. é mais emocionante porque quando a pessoa atende geralmente ela estava fazendo alguma coisa bem sem-graça, como assistir televisão ou dormir. e mesmo se estivesse fazendo alguma coisa interessante, não admitiria - ninguém admite que estava trepando, por exemplo. por isso eu gosto de falar com esses botões do telefone.
Publicado em 09 de junho de 2005 às 17:37 por helena cogumelo