Tem que ser cada vez mais emocionante. O problema foi que, depois que me envolvi com um árabe da fronteira que me ofereceu 500 camelos para ir com ele para o Oriente Médio, nada parece mais me constranger, ou me supreender. Virei uma blasé sem querer... uma viciada em emoções cada vez mais fortes. Difícil encontrar alguém mais emocionante que o árabe.
Se bem que, num domingo desses de sol, fui até aquele gramado atrás do MON ficar sem nada pra fazer um pouco. Em meio a todas aquelas pessoas largadas na grama, lagarteando, veio de repente um cardume de italianos, numa corrente vinda do norte. Pesquei um dos italianos e o levei para casa.
Nossa, aquele italiano era ótimo. Aquela forma de agir do italiano, exagerando tutti, conseguiu acender um resquício de emoção que ainda existia em mim. O mais emocionante do italiano era realmente o fato de ele ser um italiano. Bebia vinho! E como falava! Gesticulava! Aquilo tudo era magnífico. Levei sorte, pesquei um atum graúdo.
Mas, dali um pouco a emoção se tornou tédio novamente e o atum graúdo virou um bagre fedido. Ele era muito italiano. Ele bebia vinho! E como falava! Gesticulava! Credo.
Nunca leve um italiano para casa sem antes ver se está fresco: veja se as guelras estão rosas e se os olhos estão brilhando.
Saber pescar italianos - este é o segredo da felicidade.
Publicado em 04 de julho de 2005 às 21:59 por helena cogumelo