Sexta a noite, sem nada pra fazer, resolvi: vou fazer um rocambole!
Mas um rocambole é difícil de fazer e fácil de dar errado.
Primeiro você tem que desenformar enquanto ele ainda está quente, para poder enrolar num pano e deixar esfriar no formato de rolo. Aí depois de frio você tem que desenrolar, passar o recheio e enrolar de novo. São muitas variáveis que colaboram para que o resultado final seja um monte de farelos grudados numa massa de recheio espalhado sobre uma travessa, como se fosse uma polenta mole.
Como você tem que desenformar ainda quente há grande risco de queimaduras graves. Outro risco é que, havendo uma queimadura, você faça movimentos bruscos que levem a sua massa quentinha recém-assada a cair no chão, ou na pior das hipóteses: a massa pode quebrar! E quebrada não dá pra enrolar. E se não der pra enrolar não é um rocambole. Porque a essência de um rocambole é ser enrolado.
Mas há outro grande risco. Depois que a massa está fria, você tem que desenrolar para rechear. Acontece que a massa fria é menos maleável que quente. Ou seja, a massa pode quebrar enquanto você desenrola. Então, você desenrola mas ela continua curva, e passar recheio numa massa curva envolve uma certa dificuldade. Aí voccê enrola de novo, com cuidado, porque se você apertar muito o rocambole, o recheio vaza pelas laterais e o seu rocambole não terá recheio. E um rocambole sem recheio não é um rocambole. Porque a essência de um rocambole é ser enrolado E ter um recheio.
Agora a finalização. O rocambole precisa terminar com a aba para baixo, ou seja: se o rocambole terminou no meio do caminho, você tem que ajeitar e ir esticando o rocambole até a aba chegar do outro lado - não deu pra entender muito, mas vai fazer um rocambole que você já vai entender.
Mas, apesar de todas as adversidades, posso dizer que fiz um rocambole de verdade. Pois ele é enrolado e tem uma dose razoável de recheio. Assim posso colocar no meu currículo:
Inglês: fluente
Francês: básico
Culinária: intermediário (já fiz um rocambole)
Publicado em 20 de agosto de 2005 às 13:20 por helena cogumelo
A resposta pode definir se você deixou as pontas abertas, que combinam mais com o doce (goiabada), ou fechadas, típicas de rocamboles salgados (sardinha ou presunto e queijo). Não que um rocambole doce não possa ser fechado nem que o salgado não tenha um dia a oportunidade de ser aberto.