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Alguém quer me fazer existir em preto-e-branco.
Pra depois vir um outro alguém com uma caixa de crayons e pintar minha pele com cores surreais e descontínuas, justo como naquele desenho que pintei o bico do pato de verde-folha só porque a cor era bonita.
Frequentemente sinto uma aflição como se estivesse com muita pressa, correndo, e tivesse um milk shake de ovomaltine na mão. Pressa e delícia e vontade de tomar o milk shake e não se atrase.
a) Foda-se a pressa e que delícia de invenção esse milk shake.
b) Olha o relógio! e o milk shake espera enquanto se transforma num copo nojento de sorvete quente derretido.
Divago entre as duas escolhas, me distraio e tropeço e coloco tudo a perder - a delícia e o compromisso.
Isto aqui é uma metirrrrrra (com sotaque malufês) deslavada.
Isto aqui foi sem palavras.
Isto aqui é uma demonstração do que aconteceu no domingo mais depressivo e sem sentido da minha vida, fruto da crise de distúrbio bipolar que tenho logo após grandes dias felizes.
Quem nunca teve um banheiro rosa ou verde (e com banheira de cerâmica) é porque nunca morou em casa alugada.
É incrível como essas cores estiveram na moda da decoração sanitária há algumas décadas atrás.
haltura
humidade
hexato
hamoníaco
hisqueiro
hecletismo
húmero
hexalar
hungir
helipse
halga
heclipse
humbigo
hístmo
hisquemia
hecstasy
hácido barato
E o laranja?
Fui buscar, com o guincho.
Ah, então foi a primeira vez que você andou de caminhão?
Não, eu já devo ter andado de caminhão antes.
E o laranja?
Acho que foi a primeira vez dele.
Tadinho.
Hum... na verdade... acho que foi a minha primeira vez também. É... foi sim... (Por que será que eu nunca andei de caminhão antes? Vou avisar minha mãe sobre essa falha absurda na minha educação. E talvez repreendê-la. É sim, vou repreendê-la. Vou dizer que é por isso que ela criou uma filha irresponsável!)
A uva é um pequeno globo, fruto da videira, que pode ser verde, quando verde, e verde, quando madura. Há também as espécies de cor rósea, roxa, e preta, quando maduras, obviamente. Na maioria das vezes, as uvas são dotadas de sementes, até cinco por uva. Geralmente as uvas são vendidas em cachos.
É impossível comer apenas UMA uva e sentir-se satisfeito. Isso deve-se ao fato de uma uva, ao contrário da jaca, ser um fruto muito pequeno, do tamanho aproximado de um olho; e a menos que você tenha feito cirurgia de redução do estômago, você não se sentirá satisfeito comendo UMA uva. Será preciso consumir ao menos metade de um cacho.
Existem dois tipos de uva: a uva do tipo de que se chupa e a uva do tipo que se morde. O sujeito pode chupá-la, descartando a casca e engolindo a polpa inteira, ou então mordê-la e, nesse caso, não descartar nada. A melhor parte da uva do tipo que se chupa é apertar bem o fruto, já que a parte mais doce é a que fica junto à casca. A uva do tipo que se morde é um pouco mais ácida que a do tipo que se chupa. Ao morder a uva do tipo que se morde, ela faz um barulho frouxo como uma batida e explode na sua boca - o que pode ser bem divertido.
Caso o sujeito consiga identificar com a língua uma semente em meio a polpa, casca e saliva, é provável que o sujeito a cuspa. Se um outro sujeito estiver perto do sujeito e entre esses dois sujeitos existir o laço familiar conhecido como irmão, é bem provável que o sujeito que identificou a semente da uva dentro de sua boca, cuspa a semente sobre o outro sujeito, utilizando a boca como uma pequena zarabatana.
A semente da uva pode atingir altas velocidades e ser muito perigosa: pode acontecer aquilo que a grande sabedoria materna chama de vai-que-pega-no-olho!
A única vantagem de ser adulto é poder fazer mingau de aveia quando dá vontade.
Há demônios nos espelhos que chupam a minha alma. Esses demônios a fazem observar a superfície do meu corpo, mas não toda ela. Apenas as partes lambuzadas por uma luz lambilenta capaz de transformar o passado em presente, constantemente.
Nas máquinas fotográficas esses demônios se multiplicam. Além de chuparem pedacinhos das almas das pessoas, eles as obrigam a ver um instante do passado.
O que vejo na fotografia é um amontoado de saliva seca da luz que um dia lambeu o seu corpo.
preciso cortar o cabelo.
A menos que eu queira sair por aí fazendo cover de Maria Bethania.

foto: Val Proudkii
Com alguma freqüência acontece de eu ficar obcecada por uma música, uma versão específica de uma música que só existe num cd tal que geralmente é difícil de encontrar. Por exemplo: há algum tempo eu procuro um cd da Ella que tenha uma versão para Take the A train. Já fui na Fnac e não achei. Ainda bem, porque aposto que se achasse estou certa de que eu pagaria um preço bem caro por ele.
Ontem me deu uma vontade de ter o cd do Stevie Wonder com Pastime Paradise. Mas a pior sensação do mundo é ter essa ânsia num dia de feriado. É um absurdo! Eu QUERO comprar, sei onde tem, estou disposta a pagar o preço que for, mas, ao invés de consumidores em sua tradicional fúria capitalista, há apenas milicos desfilando nas ruas!
Azulivre!
Ainda bem que era dia que Quarta Rock!
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O cúmulo do bêbado hipocondríaco é acreditar que a hortelã do mojito vai fazer com que a ressaca lhe seja leve...
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Pode rir, mas esse foi um dos meus primeiros pensamentos de hoje, quando acordei sem ressaca alguma.
Dei graças à hortelã!
Alguém já provou o meu delicioso Chá com Gosto de Lágrima?
Eu passei o dia inteiro de pijama. Ninguém vai fazer nada a respeito?
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Melhor coisa pra conversar com você mesmo é ir sozinho a um bar. Sua voz interior aparece muito mais claramente, seus juízos de valor sobre as pessoas ao redor, sua capacidade de observação. Tudo fica mais aguçado - inclusive sua auto-censura e a capacidade de duvidar das suas certezas. Assuntos não param de brotar na sua mente para conversar com o cara que está fazendo aquele drink lindo, bem na sua frente, pois (lógico) lugar de gente que vai sozinha a um bar é no balcão, observando o barman.
A melhor parte de passar horas com você mesmo num lugar onde as pessoas vão para conversar umas com as outras é ficar inventando diálogos internos. Por exemplo: se eu estivesse aqui no bar com o Costinha? Tá, admito que forcei um pouco a barra - não sei o que eu conversaria com o Costinha. Mas
eu sei, por exemplo, o que eu conversaria com a Gianna, ou a Inez, ou a ManueCarol, e com algumas outras pessoas do tipo que aparecem na sua vida e logo depois vão embora, e são tão necessárias quanto alguém que sempre viveu com você.
Acho que saudade é isso da gente ficar inventando conversas com pessoas que não estão lá.
E a esquizofrenia é só uma saudade na qual você acredita demais.
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Melissinha, pochete e pneu velho
Atenção:
Proprietário da lambreta vermelha de pintura gasta, portanto tênis Adidas verde. Você passou na av. Martim Afonso por volta do meio-dia de quinta-feira. Queira comparecer à recepção para prestar os devidos esclarecimentos. Saiba que não é permitido lançar tais olhares a garotas que dirigem fuscas alaranjados, também de pintura gasta. Você colocou em risco sua vida e a vida de pessoas próximas ao se virar de forma fatal para acompanhar a trajetória do veículo cítrico. Agradecemos a compreensão e boas compras.
Existem algumas histórias sem qualquer vocação para serem contadas. Quando alguém tenta contá-las, elas se rebelam e acabam por não se fazerem entender.
E não adianta ir contra a natureza da história - as histórias sempre vencem.