Há demônios nos espelhos que chupam a minha alma. Esses demônios a fazem observar a superfície do meu corpo, mas não toda ela. Apenas as partes lambuzadas por uma luz lambilenta capaz de transformar o passado em presente, constantemente.
Nas máquinas fotográficas esses demônios se multiplicam. Além de chuparem pedacinhos das almas das pessoas, eles as obrigam a ver um instante do passado.
O que vejo na fotografia é um amontoado de saliva seca da luz que um dia lambeu o seu corpo.
Publicado em 10 de setembro de 2005 às 17:57 por helena cogumelo