Em Curitiba, o ônibus fica mais barato no domingo. Mas tem algumas coisas que praticamente triplicam de valor quando acontecem nesse dia marrento de tedioso. Almoço de domingo, por exemplo, é mais gostoso. O carro lavado no domingo fica bem mais limpo.
Tem como medir o quanto uma pessoa se importa com a gente? Temo que acabei de encontrar um índice fundamental de aferição para o grau de amizade. Temo, porque agora que desenvolvi este brilhante método, muitas ilusões serão postas abaixo. Já vislumbro um ônibus lotado de frustrações buzinando para descarregá-las todas de uma vez na frente da minha casa: lá vem a tarifa domingueira.
Sim. O método é bem simples: basta somar a quantidade de vezes que a dita, ou o dito em questão, lhe telefonou numa tediosa tarde de domingo. E é apenas isso. Com base nesse número, que é cumulativo e vitalício, pode-se avaliar qualquer amizade e até mesmo rolos/pretês. Namoro não vale, porque aí ligar no domingo é obrigação - nesse caso você vai descontando pontos cada domingo que ele não ligar.
O fundamento é simples. Se mesmo nesse dia terrivelmente vazio, de completo tédio e total inoperância, ainda assim o sujeito não se lembra de você, putz, a coisa está feia mesmo. Agora, caso ele se lembre de você e ainda se mova até um telefone, tenha forças para digitar um número e interagir com alguém, nossa, parabéns - seu amigo mostrou mesmo que gosta de você!
Isso faz todo o sentido.
Não faz?
Publicado em 19 de dezembro de 2005 às 00:00 por helena cogumelo