Como já é de domínio geral, eu adoro Woody Allen. Assistindo novamente Annie Hall há alguns dias atrás, relembrei um pensamento dele que era uma coisa parecida com isso.
O mundo se divide em dois tipos de pessoas - os miseráveis e os desgraçados. Os miseráveis são os casos de pessoas cegas, dos paraplégicos, pessoas que de alguma forma absurda e incompreensível continuam sobrevivendo. E os desgraçados, bem, estes são todos os outros.
Miseráveis e desgraçados têm algo em comum. Estão vivos. Respiram. São infelizes a maior parte do tempo, mas ainda sim correm algum risco de passar meio perto de uma alegriazinha ordinária. É a teoria do Cookie com gotas de chocolate. A massa é a maior parte do cookie para que as gotas sejam o clímax. Às vezes você pega um cookie tão sem gotas de chocolate, que parece até que tem alguém está te sacaneando e pegando todas as gotas para si. Mas não. Na verdade - que a gente quase nunca quer encarar - você só levou azar, e isso não há quem explique, não cabe em signos linguísticos. É vertigem, não linguagem.
Mesmo que se faça o possível, que se façam planos, que haja preparação, sempre há na vida algo que escapa. E a vida, ela própria, escapou do meu amigo Marcel no dia de Natal.
Vertigem.
Publicado em 27 de dezembro de 2005 às 00:07 por helena cogumelo
Ah, alguém fez uma metáfora muito pior sobre isso dos cookies, bem mais feia. Falaram que a vida é um pote de merda com caramelos, num freakshow. No tal freakshow, as pessoas correm, enfiam a cabeça e pegam o máximo de caramelos que conseguem: a vida.
Mas a pessoa tava de mau-humor quando disse isso. Liga não.