Alguém aí está precisando de amigdalas? Acho que eu poderia tranquilamente servir de doadora de amigdalas caso existisse alguma técnica de transplante. O ruim é que o órgão já viria podre para o novo paciente. Credo! disse uma amiga minha. Pois é “credo!” é tudo o que consigo dizer ao olhar a minha garganta no espelho, com ajuda de uma lanterna.
Segundo minha amiga, estudante de medicina, existem três tipos de amigdalite. A aguda, a crônica e a amigdalite braba do bafopodre. Este último tipo é o que quase sempre me acomete. O bafo podre de alguém que está com o peito putrefeito e com jeito de pirão é terrível. Suores pela febre e dores pelo corpo acompanham. Agulhadas ao falar, comer e beber água também fazem parte do pacote. É sempre a mesma coisa. Eu já nem fico rouca e perdi parte da sensibilidade de uma delas.
O primeiro dia do ano, assim como o domingo pra mim é sempre depressivo, passei na cama escutando quase todos os meus cds pelo menos duas vezes. Meu único contato com o mundo foi olhar as várias tonalidades de cores do céu pela janela. Foi ótimo. Debulhei Memórias de minhas putas tristes em espanhol em duas horas - isso com uma soneca no meio! Depois comecei a fazer planos para a segunda feira, mas essa parte me deu sono e dormi.
Acordei indignada que ninguém havia ligado pra mim pra saber como eu estava. As pessoas deveriam intuir quando a gente fica doente, você não acha? Resolvi tomar uma atitude: fui até a sala e coloquei um dos dvds do Chico que minha mãe ganhou de natal. Ótimo. Depois de algum tempo, minhas costas começaram a doer de tanto ficar sentada. Deitei e dormi novamente. Meus pais voltaram da feijoada e me encontraram dormindo meio caída na sala com a música do menu do dvd repetindo à exaustão. Cena de filme ruim, daqueles que passam no SBT um pouco antes do canal sair do ar. Voltei pra cama. Nesse momento não consegui mais dormir.
O Dave Brubeck já tinha me enchido e apelei para um Tom & Elis. Nem preciso dizer que fiquei mais depressiva. Mas pelo menos serviu para pensar na vida, dar uma choradinha no travesseiro. E como sabemos, dar uma choradinha no travesseiro é o melhor método pra fazer a gente pegar no sono de novo.
Publicado em 03 de janeiro de 2006 às 02:22 por helena cogumelo