A última aposta eu havia ganho em pirulitos. Terrível para alguém que sempre quer levar algum. Mas nada que me impeça de fazer de pirulitos um leitmotiv para uma nova aposta.
- Vou beber cerveja com esse pirulito mergulhado.
- Ah tá, fala sério, que nojento...
- Aposta quanto?
- Hahaha, aposto outra cerveja...
Cerveja com pirulito é sopa no mel. Próxima!
- Pô, não sabia que você curtia náite de boiola enrustido.
- Qualé, guria! A gente tá no bar mais rock'n'roll da cidade. A pessoa mais gay aqui é você!
- Que nada, rapá. Só ali tô vendo uns cinco... aquele ali, barbudo de óculos... não olhe agora... tá do lado do balcão... tá vendo?
- O que que tem?
- Esse é. Certeza.
- É nada. Cê tá viajando guria.
- É sim, ponho a mão no fogo. Quer ver como eu chego perto e ele sai correndo? Se bobear vai até embora do bar de tanto medo de mulher ...
- A-ha, que nada, o cara é do rock...
- Quer apostar? Essa vale dinheiro hein... vou me arriscar muito, vai que o cara me cata...
- Trinta pila.
- Pô, olha o esforço que eu vou fazer, se eu perder ainda vou ter que ficar com um cara que parece um boiola enrustido!
- Tá, cinquentinha... hahaha, você vai ser ferrar muito... vou até ficar com pena se você perder essa...
- Beleza. Dá um tempo aí. Mas fica de olho!
Cheguei na rodinha com cara de quem foi falar alguma coisa importante, puxei o garoto pela mão pra baixo da escada. Canto escuro, carinha de isca, mão na cintura, ele só me olhou com aquele sorriso de desdém. Ótimo. Já sentia a nota pingando na minha mão. Se segura no riso garota, não dá bandeira. Sussura no ouvido alguma besteira, pra parecer bem convincente. Nem assim. SE esquivou. Saiu saindo. Saí ganhando. Pagou a conta. Foi embora! Momento certo. Sorte é pra quem tira.
- Duas palavras. Não falei?
- Tu é foda guria.
Náite com saldo positivo. Trabalhar pra quê? Perco pretê, mas não perco a aposta.
Enquanto alguém duvidar de mim, vou garantindo minhas cervejas.
Publicado em 28 de março de 2006 às 12:44 por helena cogumelo