Em comemoração à Proclamação da República, republico aqui um post de 26 de julho de 2004 que faz muito sentido.
24 horas com Helena
Pela manhã sou uma covarde. O meu cobertor de lã é uma fortaleza, um muro intransponível. Caso eu acorde mais perto da hora do almoço, ele vira uma cerquinha facilmente burlável. Depois do almoço a covardia cede lugar à preguiça e à vadiagem. Pode ser que lá pelas 15h eu me anime a fazer algo, mas é um ânimo passageiro.
A pior hora do meu dia é 18h. A depressão chega com o cair da tarde, junto com a constatação de que o dia foi completamente perdido. Essa depressão, porém, é o que alimenta minhas forças para evenualmente sair à noite - aquela coisa de fazer o dia valer. Meia-noite já estou revigorada. Às 3h da madruga sou invencível. Tenho idéias do tipo enviar presentinhos enigmáticos pelo correio, sem remetente. Fico com a impressão de que tenho muitas coisas pra contar e dá uma vontade enorme de ligar para aquela amiga e falar sem parar.
Mas logo esse mundo se esvai, pois todos aqueles que quero ao meu lado estão dormindo, e o correio, fechado. Então é a hora de encarar a realidade - durmo. Me acovardo durante os sonhos para acordar novamente com medo de mais um dia.