Já que estou fodida mesmo...
Vou contar essa história.
Existem momentos apropriados para se contar uma história. Ainda mais quando a história que se irá contar aconteceu há pouco tempo. Ainda mais ainda quando a história é com você e envolve uma terceira pessoa. Ainda mais ainda mais quando essa terceira pessoa ainda está com você. E mais ainda - e vou parar por aqui - quando essa história envolve uma mentira, e o próprio acontecimento de se contar a história expõe completamente a sua mentira. Pois bem. O fato de eu contar essa história me coloca em pleno risco - na verdade estou provocando uma roleta-russa apenas para ter algum tipo de adrenalina em minha vida tediosa.
Se você for essa pessoa, por favor, pare de ler isso aqui se ainda gosta de mim. Ou então pode ler, mas finja que não leu. Ou então, se não gostar mais de mim aqui está, de bandeja, uma bela desculpa para ir embora.
Feitas as ressalvas, vamos à história. ha-ham
Certa feita, há uma semana atrás, estava eu um tanto irritada com minha vida pessoal. Decidi, como sempre, viver perigosamente e, depois de uma dessas reuniões de organização de um certo festival, aceitei um convite de um amigo para tomar uma cervejota no Jacobina. Havia tempos que não nos falávamos e o papo estava realmente muito interessante. Mais chopps e a conversa estava evoluindo perfeitamente - tão perfeitamente que, em dado momento, parei e pensei comigo 'nossa, há tempos não converso com alguém dessa forma tão boa'. O papo estava tão bom, mas tão bom, que nem ouvi quando o celular tocou mais de cinco vezes. Na sexta vez, porém, enquanto eu via a enormidade de ligações e tentava ouvir as mensagens de voz, o telefone tocou em minhas mãos.
Gelei. Sim era você. E já pela primeira mensagem que eu tinha ouvido na caixa postal, você estava um pouco bêbado e demonstrava uma certa irritação pelo meu menosprezo (que na verdade ainda não era menosprezo, e sim surdez barsística). A partir desse momento sim, seria menosprezo. Afinal o papo estava muito bom e as coisas já não estavam lá muito boas para nós dois. Eu que não deixaria um chopp com colarinho cremoso e um ótimo papo para tomar cerveja quente e discutir uma relação falida.
Mas este foi meu erro. Erro crasso. E se vocês acham que é algum tipo de sentimentalismo do tipo menti e perdi o amor da minha vida, podem parar de ler aqui mesmo. Na verdade meu erro foi não ter atendido o telefone naquele momento, justo naquele momento, porque aquele foi o momento que meu amigo foi ao banheiro.
Ignorei todas as outras cinco ligações, tomando o cuidado de colocar no modo silencioso. Mas o que eu ignorava também era a sua situação, a sua cerveja quente - que não estava tão quente quanto eu presumia - e a ilustre companhia que se juntou a você na cerveja-não-tão-quente. E foi assim que eu perdi de conhecer o Ronaldinho Gaúcho das fotografias de mulheres nuas da Playboy e suas histórias maravilhosas, para conversar miolo de pote com um reles gandula.
Certo, agora vocês podem atirar em mim esses ovos podres, por favor?
Existem momentos apropriados para se contar uma história. Ainda mais quando a história que se irá contar aconteceu há pouco tempo. Ainda mais ainda quando a história é com você e envolve uma terceira pessoa. Ainda mais ainda mais quando essa terceira pessoa ainda está com você. E mais ainda - e vou parar por aqui - quando essa história envolve uma mentira, e o próprio acontecimento de se contar a história expõe completamente a sua mentira. Pois bem. O fato de eu contar essa história me coloca em pleno risco - na verdade estou provocando uma roleta-russa apenas para ter algum tipo de adrenalina em minha vida tediosa.
Se você for essa pessoa, por favor, pare de ler isso aqui se ainda gosta de mim. Ou então pode ler, mas finja que não leu. Ou então, se não gostar mais de mim aqui está, de bandeja, uma bela desculpa para ir embora.
Feitas as ressalvas, vamos à história. ha-ham
Certa feita, há uma semana atrás, estava eu um tanto irritada com minha vida pessoal. Decidi, como sempre, viver perigosamente e, depois de uma dessas reuniões de organização de um certo festival, aceitei um convite de um amigo para tomar uma cervejota no Jacobina. Havia tempos que não nos falávamos e o papo estava realmente muito interessante. Mais chopps e a conversa estava evoluindo perfeitamente - tão perfeitamente que, em dado momento, parei e pensei comigo 'nossa, há tempos não converso com alguém dessa forma tão boa'. O papo estava tão bom, mas tão bom, que nem ouvi quando o celular tocou mais de cinco vezes. Na sexta vez, porém, enquanto eu via a enormidade de ligações e tentava ouvir as mensagens de voz, o telefone tocou em minhas mãos.
Gelei. Sim era você. E já pela primeira mensagem que eu tinha ouvido na caixa postal, você estava um pouco bêbado e demonstrava uma certa irritação pelo meu menosprezo (que na verdade ainda não era menosprezo, e sim surdez barsística). A partir desse momento sim, seria menosprezo. Afinal o papo estava muito bom e as coisas já não estavam lá muito boas para nós dois. Eu que não deixaria um chopp com colarinho cremoso e um ótimo papo para tomar cerveja quente e discutir uma relação falida.
Mas este foi meu erro. Erro crasso. E se vocês acham que é algum tipo de sentimentalismo do tipo menti e perdi o amor da minha vida, podem parar de ler aqui mesmo. Na verdade meu erro foi não ter atendido o telefone naquele momento, justo naquele momento, porque aquele foi o momento que meu amigo foi ao banheiro.
Ignorei todas as outras cinco ligações, tomando o cuidado de colocar no modo silencioso. Mas o que eu ignorava também era a sua situação, a sua cerveja quente - que não estava tão quente quanto eu presumia - e a ilustre companhia que se juntou a você na cerveja-não-tão-quente. E foi assim que eu perdi de conhecer o Ronaldinho Gaúcho das fotografias de mulheres nuas da Playboy e suas histórias maravilhosas, para conversar miolo de pote com um reles gandula.
Certo, agora vocês podem atirar em mim esses ovos podres, por favor?