página inicial do tipos

Receba por e-mail os posts de Palacete assobradado: RSS - Assine os feeds deste blog

Archives

You are currently viewing archive for November 2007

04 November 2007

R$ 34 e um boletim de ocorrência

O título desse post é tudo o que tenho neste momento da minha vida. Não seria tão trágico se eu não estivesse a mais de três mil quilômetros de Curitiba. Estou em Manaus, num albergue da juventude.

O episódio "Helena sai de férias" começou bem alegre - mochilão nas costas e muita disposição pra enfrentar tempos difíceis. Obviamente a realidade superou a ficção. Depois de tomar umas no Bar do Armando, ouvir um concerto de João Sebastião no Theatro Amazonas e quase encarar um jungle experience (com direito a caboclo falando inglês e chamando boto rosa de "dolfinho rosa") banquei a pata no porto de Manaus ao embarcar para Santarém.

Tinha acabado de atar minha rede no barco quando fui traçar uma "merenda" esperta de um real com suco grátis! Depois de aproveitar a bagatela da merenda, notei que minha mochila havia desaparecido. E eu, com o lanche na mão, fiquei paralisada ao ouvir o homem que estava ao meu lado dizer que neguinho pegou minha mochila e vazou. Isso tudo aconteceu em apenas 30 segundos.

"É por isso que o Brasil não vai pra frente!" foi a frase original da moça que atou a rede dela ao lado da minha. Na mochila estavam: todo o dinheiro, identidade, cartão do banco, carteira de motorista, carteira da Fenaj, carteira de alberguista, meus óculos, máquina fotográfica, celular, mp3 player, a moeda número um do Tio Patinhas, um pedaço da corda do Círio de Nazaré, uma imagem de Nossa Senhora Aparecida e aquele dólar da sorte que você me escreveu aquele trecho daquela música - esses quatro últimos itens a mulher do primeiro DP não incluiu no Boletim de Ocorrência.

Sem lenço nem documento, fui até a agência que me vendeu a passagem e pedi o reembolso - a esperança que eu tinha de não precisar mendigar na rua. A Agência era uma sala comercial num prédio caindo aos pedaços, com uma mesa, um ar condicionado e um gordo sem camisa, descalço e com um bermudão vermelho desbotado sentado numa cadeira. O gordo, como é de praxe nessas horas, disse que não era com ele, que eu que fosse falar com o dono do barco que ele já tinha repassado a grana das passagens pra ele. E esse foi o segundo assalto: paguei R$ 90 pela passagem e me devolveram R$ 40. Gastei seis reais numa compra de supermercado que vai ser meu almoço até segunda feira e depois eu não sei mais.

Pelo menos já tinha comido o Tacacá da Gisela - que é tipo um missô, mas ao invés de tofu tem goma e o verdinho dá uma pira anestésica na língua. Muito bom.