Estranha língua do Parolin
Acho que a Fundação de Ação Social poderia substituir as tradicionais Kombis de "resgate social" pela linha do ônibus Alferes Poli. Acho que seria muito efetivo para recolher as vítimas do crack.
O ônibus do inferno passa por aquele onde sarjeta e calçada se confundem. "Não pegue o Alferes Poli", disse a moça. Tava na vez, não deve ser tão ruim assim. Entrei no ônibus. Quinze pessoas. Uma delas, que se sentava atrás de mim, solta grunhidos para um outro grupo de rapazes - Abagaf estrofgh nsuatesta! Cérebro derretido, no mínimo. Cheiro de thinner, cola e outros fluidos irreconhecíveis. - Esabovoshtão nhanha cuzão. Como os palavrões são articulados! Deve ser a única parte do cérebro que ainda preserva uma certa quantidade de neurônios. Um caso a ser estudado. A mulher dos mil grunhidos se levanta, fica agressiva. - Avoti derum nhá! e bate no banco. Me assusto. Ela caminha erguendo bem os joelhos em direção ao grupo de rapazes. Um deles fala exatamente como ela. Língua solta e mole na boca. O mais novo ainda parece estar com a capacidade de comunicação preservada. Tem sete anos. Ele que responde a mulher. - Fica aí, mulher do barba. Será que só eu não estou entendendo essa estranha língua do Parolin? No banco da frente, duas velhinhas ajeitadinhas pareciam compreender.
O ônibus do inferno passa por aquele onde sarjeta e calçada se confundem. "Não pegue o Alferes Poli", disse a moça. Tava na vez, não deve ser tão ruim assim. Entrei no ônibus. Quinze pessoas. Uma delas, que se sentava atrás de mim, solta grunhidos para um outro grupo de rapazes - Abagaf estrofgh nsuatesta! Cérebro derretido, no mínimo. Cheiro de thinner, cola e outros fluidos irreconhecíveis. - Esabovoshtão nhanha cuzão. Como os palavrões são articulados! Deve ser a única parte do cérebro que ainda preserva uma certa quantidade de neurônios. Um caso a ser estudado. A mulher dos mil grunhidos se levanta, fica agressiva. - Avoti derum nhá! e bate no banco. Me assusto. Ela caminha erguendo bem os joelhos em direção ao grupo de rapazes. Um deles fala exatamente como ela. Língua solta e mole na boca. O mais novo ainda parece estar com a capacidade de comunicação preservada. Tem sete anos. Ele que responde a mulher. - Fica aí, mulher do barba. Será que só eu não estou entendendo essa estranha língua do Parolin? No banco da frente, duas velhinhas ajeitadinhas pareciam compreender.
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